sexta-feira, 21 de dezembro de 2007



THE ZAPPA PATIO
Um dos mais informativos da rede: vinils, bootlegs, discografia...
One of the most complete of the web: vinyl-vs-CDs, bootlegs, discography...

THE PLANET OF MY DREAMS
Muito bom, com data dos shows, as diversas formações das bandas, projetos, fotos...
Very nice, with gig list, line-ups touring bands, projects, pictures...

INFORMATION IS NOT KNOWLEDGE
Não estou bem certo se este é o nome do site, mas é um local com informações completas sobre discografia, videografia, projetos, músicas não lançadas, etc...
I'm not right if this is the name of the site, but it's a place with complete information about discography, projects, unreleased records, etc...

ZAPPA IN FRANCE
Bem bacana este site francês com entrevistas, fotos, publicações, bio, etc...
A nice french site with interviews, photos, publications, bio, etc...

KILL UGLY RADIO
É basicamente um site de notícias, mas eu uso para pegar as capas dos bootlegs.
It's basically a news site, but I use to catch the bootlegs covers.

DA FORTY-FIVERSO
O mais completo site sobre a discografia de singles do Zappa que você vai encontrar.
A complete site about Frank Zappa singles discography.

ARF
Dedicado ao estudo da obra de Frank Zappa com uma relação bibliográfica mundial.
The Home Of Frank Zappa Heritage Studies, with world bibliography.

FRANK ZAPPA DATABASE
Banco de dados com informações sobre as gravações ao vivo.
A database collects and delivers information about some circulating Frank Zappa live recordings.

ZAPPA BOOTLEG PAGE

FREDUNZEL SITE
Site em francês com informações sobre discos, músicos, arquivos de audio, etc..
Wrote in french this site have info about records, musicians, archives of audio, etc..

THE CENTRAL SRUTINIZER
Site da mais famosa banda cover de Frank Zappa do Brasil.
Site of the most famous cover band of Frank Zappa in Brazil.

LOW BUDGET RESEARCH KITCHEN
Banda portuguesa de covers do Frank Zappa.
A portuguese cover band of Frank Zappa.


BLOGS
Planeta Zappa - Sudio Z - Zappa From Hell



As Dialéticas Negativas das Habilidades do Poodle #4


INTEGRIDADE



Zappa terminou o Liceu de Antelope Valley no dia 13 de Junho de 1958, sexta-feira. Como o próprio refere, não terminou cadeiras suficientes, mas eles ficaram felizes por o mandarem embora. Inscreveu-se no Liceu de Antelope Valley apenas para conhecer raparigas. (“Tu sabes, nunca se dá ponto sem nó, por isso pensei, “Sejamos práticos”, e inscrevi-me”), mas durante apenas um semestre, embora tenha frequentado um curso especial de harmonia de um tal Sr. Russell. Na Primavera de 1959, a família mudou-se para Claremont, na Califórnia. Frank saiu de casa e foi viver para o distrito de Echo Park em Los Angeles, onde tentou ganhar a vida a escrever música para filmes de cowboys, entre eles Run Home Slow, um filme escrito pelo professor de inglês do Liceu de Antelope Valley, Don Cerveris. O produtor, Tim Sullivan encheu-se de dívidas quando a estrela principal fez um aborto no terceiro dia de filmagens. O projecto foi abandonado durante anos. A falta de comida adequada provocou-lhe um ataque de úlcera e Zappa voltou para casa em 1960. Inscreveu-se no Liceu de Chaffey, mais uma vez, com o “único propósito de conhecer raparigas” e depois de um curso de harmonia leccionado por uma Menina Holly, conheceu Kay Sherman. Casaram um ano depois e saíram da escola, ele ainda frequentou um curso de composição no Liceu de Pomona. O casamento durou cinco anos. Sherman trabalhava como secretária no First National Bank of Ontario e Zappa na Nile Running Greeting Cards.


"Em Claremont, eu fazia trabalho de publicidade em revistas de negócios relacionadas com cartões de saudações. Desenhava cartões de saudações. Fazia umas coberturas em papel vegetal. Podia ter gerido o negócio sozinho. Os meus trabalhos práticos na escola, para além da música, eram principalmente em educação visual. Por isso é que as capas dos meus discos foram tão boas, mais tarde – não porque fosse eu a fazê-las, foi sempre o Cal Shenkel – mas porque estava a par da potencialidade desse tipo de coisas. E também gostava. Ainda tenho uma colecção de desenhos de alguns desses cartões."


"O ramo consistia principalmente na produção de cartões de cumprimentos em papel vegetal para velhas que gostavam de flores. Eu trabalhava no departamento onde se faziam os cartões e acabei por fazer também alguns horrorosos arranjos florais.
Depois apareceu um trabalho a desenhar e escrever anúncios para a imprensa local, o que incluiu algumas belezas para o First National Bank of Ontario da Califórnia. Também tinha tarefas como decorador de montras e vendedor de jóias e – o pior – vendi Enciclopédias da Collier porta a porta. Isto era realmente triste – mas pelo menos consegui ter uma visão de como aquilo funcionava.
"


Esta consideração sobre estes trabalhos relacionados com as vendas entrou na arte de Zappa como sátira e prática. Tal como Philip K. Dick excede qualquer escritor de ficção científica com a sua preocupação com os problemas quotidianos dos pequenos negociantes, Zappa excede a moda com a moda, concentrando-se na normalidade.
Ao mesmo tempo, tocava guitarra no Tommy Sandi’s Club Sahara em San Bernardino, numa banda amadora: Joe Perrino and the Mellotones. Era-lhes permitido tocar uma música rápida por noite, invariavelmente um twist: “Foi uma grande mudança; passar do blues para o arranhanço numa guitarra, sentado num banco, vestido de fato branco e de cabelo puxado para trás... não era lá muito divertido”.
Um outro projecto foi a música para o filme The World’s Greatest Sinner, filme feito para Tim Carey. As partituras de Zappa foram tocadas em 1960 por amadores e semi-profissionais reunidos pelo professor de música do Liceu de Pomona: cinquenta-e-dois músicos, dois microfones, misturados em mono num estúdio móvel fora do teatrinho do Liceu. Nas notas podia ler-se: A Orquestra Sinfónica de Pomona Valley dirigida por Fred E. Graff. Nas partes de rock ‘n’ roll Zappa toca guitarra, Kenny Burgen saxofone, Doug Rust guitarra ritmo e Al Surran bateria. Zappa descreveu as condições de gravação como: “rançosas”. Dominique Chevalier disse que o filme era de “quinta categoria”, mas os Cramps, sempre conhecedores da cultura-B americana, colocam o filme nos seus dez mais.




LUX INTERIOR: É um dos melhores filmes rockabilly alguma vez feito. Timothy Carey é o protagonista e é simplesmente inacreditável. Trabalha numa companhia de seguros, um dia chega ao trabalho e diz, “Estou farto deste emprego.” E depois, “Oiçam todos: falei com o Sr. Simpson que diz que têm o resto do dia livre.” E manda todos os empregados para casa. O patrão chega e pergunta, “O que é que aconteceu?”, e ele diz, “Vou-me embora” [risos]. Quando vai para casa, a pé, vê uma banda de rock ‘n’ roll a tocar e tem a ideia de ser estrela do rock ‘n’ roll. Torna-se estrela de rockabilly, compra um fato e muda o nome para God Hilliard.
IVY RORSCHACH: Foi feito em 1961 e Frank Zappa fez a música.
LUX INTERIOR: As actuações são inacreditáveis. Começa a abanar-se e o cabelo cai... deve ter visto o Jerry Lewis ou coisa parecida... Rebola-se no palco e abana-se por todos os lados, numa apresentação ao vivo dá-lhe forte na guitarra. Se tiveres oportunidade de ver The World’s Greatest Sinner, ele muda-te a vida. Uau!



Embora Zappa dê a impressão, agora, de que o seu envolvimento foi mínimo, os onze minutos de banda sonora no disco pirata Serious Music mostram um paralelo muito próximo do estilo de narração-animada que usou mais tarde em The Adventures of Greggery Peccary. O papel de Satanás era desempenhado por Paul Frees.


[Relinchar de um cavalo. Uma banda de rock toca o instrumental do tema “The World’s Greatest Sinner”, seguido de uma abertura orquestral.]
SATANÁS: Ah pois é, e é aqui que vive uma vulgar família americana. O Clarence está ali, o meu menino, igual a todos os meninos – a única diferença é que quer ser Deus.
[Relinchar de um cavalo.]
E isto saiu exactamente da boca de um cavalo. A Edna está ali, a sua maravilhosa mulher e o seu mano, que acompanha Clarence até ao fim – ela não teve outra escolha. Alonzo, o jardineiro, o fiel amigo de Clarence, bastante hábil a apanhar sementes.
[A orquestra toca “Semi-fraudulent/Direct-from-Hollywood Overture” que reaparecerá em 200 Motels.]
Todos querem agir, incluindo eu próprio. Oh pá, este Clarence é a minha grande oportunidade desde o incidente da maçã – não me deixes ficar mal, Clarence, não me deixes ficar mal rapaz, faças o que fizeres.
CLARENCE: Vamos, meus seguidores!
SATANÁS: Agora vai, Clarence, vai! Vai! Vai!
CLARENCE: O meu nome é God Hilliard! Sigam-me para todos os cantos e becos dos Estados Unidos!
SATANÁS: Deus – ouve-os. É fantástico! Para ti está reservado o melhor assento do meu lar, mas tens de manter este alto nível. A tua hora, ainda por chegar, ser-te-á anunciada por um representante meu que entrará em contacto contigo. Por outras palavras, Clarence – vai para o inferno! [Ri-se demoniacamente. Acordes dramáticos seguidos de flautas românticas e cordas.]
RAPARIGA: [Delicadamente.] Deus! Amo-te.
[Um arfar, mais música romântica, chilrear, longa secção de música orquestral.]


A justaposição de palavras e música em bandas sonoras de filmes – realizada muito mais artificialmente do que aquilo que os fanáticos de cinema pensam – é de facto uma forma de musique concrète: Walter Murch, que acabou por trabalhar com Don Preston na banda sonora de Apocalypse Now começou como devoto de Pierre Henri “e daqueles tipos de França”. A música de “efeitos especiais” nos filmes – destinada a instalar ansiedade ou medo, ou para acompanhar a violência – é onde muitos não-especialistas descobrem inovações clássicas no século-vinte. A experiência de Zappa com The World’s Greatest Sinner foi como trigo para o seu moinho. Em Hot Rats, uma frase denominava o disco, “um filme para os vossos ouvidos”, e as liberdades de Lumpy Gravy e We’re Only in it for the Money têm origem nas deslocações reais dos filmes. A velocidade e violência da montagem cinematográfica é geralmente muito avançada para aquilo que as pessoas estão preparadas a aceitar numa sala de concertos. Nos anos 80 tornou-se evidente que John Zorn também aprendeu com os filmes – os seus álbuns de Naked Lunch usam uma continuidade que vem directamente das bandas sonoras de filmes japoneses de terror. The World’s Greatest Sinner também jogava com temas – a repressão sexual e a submissão à autoridade, o céu e o inferno, a tentação e a ambição, a imoralidade sádica – que reaparecem em “The Torture Never Stops” e “Titties & Beer”.

Texto retirado do blog Fora de Cena que traduziu o livro de Ben Watson - The Negative Dialectics of Poodle Play. A tradução é em português de Portugal e por isso algumas palavras podem soar estranho, como o próprio título traduzido como: As Dialécticas Negativas das Habilidades do Caniche. O que no Brasil é: As Dialéticas Negativas das Habilidades do Poodle.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Tributos a Frank Zappa

Uma pequena seleção de ótimos tributos a Frank Zappa feita por grupos de jazz e clássicos, alguns acompanhados por músicos que tocaram com o próprio Zappa como Ike Willis, Tommy Mars, Mike Keneally, Jean-Luc Ponty e outros, foi postadas no blog Never Get Out Of The Boat. São discos bem selecionados e não aqueles manjados tributos enganação. Vale a pena conferir!





Frank Zappa Tributes

A small collection of tributes to Frank Zappa, from classical & jazz ensembles to gatherings of former members to FZ's own tribute to himself. You can to find this in the Never Get Out Of The Boat blog. The selection is very nice and you must to check this!

Frank Zappa - Good Grief [????]


Mais um bootleg ripado do vinil, trazendo uma seleção de faixas ao vivo das apresentações entre 1978 e 82. Portanto é natural que a qualidade do áudio varie de faixa para outra, mas no geral não chega a comprometer e na média não está nada mal (B). A primeira faixa é uma conversa de 40 segundos do Zappa com a platéia (no primeiro show de Londres, em 19/jun./1982) que ficou notória como uma das coisas mais constrangedoras que ele disse no palco:
“Sabe, eu fico olhando ai esta noite, vendo toda essa galera e imaginando que tipo de pessoas na verdade vêm para um show como este. E eu sei! Geralmente são um bando de caras pensando que talvez seja legal estar aqui, então eles trazem junto suas garotas que nunca seriam surpreendidas neste lugar, ouvindo uma música de merda como esta. Elas ficam aí sentadas rangendo a porra dos dentes por duas horas e, talvez, mais tarde elas dêem aos caras um boquete. Bem, deixem-me dizer uma coisa para todos vocês que trouxeram garotas como estas para este tipo de show: espero que vocês consigam a chupada dessas cadelas sanguessugas que vocês trouxeram aqui esta noite”.
Bem, é difícil saber se ele estava se referindo a alguém especificamente, mas uma coisa é certa: o cara pegou pesado!!!!
Músicos convidados: Ahmet (filho do Zappa) em "Frogs with Dirty Little Lips" e Lisa Popeil cantando "The Dangerous Kitchen".







Frank Zappa - Good Grief



Various live show between 1978 and1982. Track 6 "Fine Girl" is a studio out-take.
Track 1 has Zappa talking to the audience for about 40 seconds, in London 19-Jun-1982 (first show). In a discussion on alt.fan.frank-zappa in March 2000 about "the dumbest or most embarassing thing Zappa said on stage", it was one of two things that came up. It goes like this:
"You know, as I look out here tonight, I see all these people and wonder what kind of people actually come to a show like this, and I know! Usually it's a bunch of guys who think that maybe it's cool to come here, and then they bring these girls along that wouldn't be caught dead in a place like this, listening to this shitty kind of music, and they sit there and grit their fucking teeth for two hours, and then maybe later they give the guy a blowjob. Well let me tell you something; all you guys that brought girls like this to this kind of a concert, I hope you do get blown by those lock-jawed little bitches that you brought in here."
(The other thing that came up was the imfamous "women's movement" from Saratoga 1-Sep-1984, on Kreega Bondola.)
Taken from -> the zappa patio - http://w1.858.telia.com/~u85821131/



quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Frank Zappa Live at the Falkoner Theatre 1979




Faz pouco tempo que eu encontrei este arquivo no blog The Clock That Went Backwards, logo na primeira orelhada saquei que era algo especial. Depois de uma ouvida mais apurada já tinha a certeza de que era o registro de uma grande performance de Frank Zappa, e ainda por cima com qualidade de áudio bastante boa. A tradução da resenha, de autor desconhecido, já diz tudo:
Não há uma razão histórica para se querer este show. Falkoner Theatre, Copenhagen, 5 de março, de 1979. Nenhum figurão, nenhum convidado especial, e nada demais foi acrescentado ao usual repertório da temporada. Assim, porque optar por esse show entre tantos?
Uma razão, e uma razão somente meu amigo: o cara de bigode que ocasionalmente toca um pouco de guitarra. Esta noite Frank estava claramente inspirado. Longos solos de guitarra são despejados neste show e cada um é melhor que o outro. Da abertura com “Deathlee Horsie”, percorrendo até a grande “Treacherous Cretins” no encerramento, Frank estava iluminado. E isso é tudo que você precisa saber...




Frank Zappa Live at the Falkoner Theatre

There is no historical reason why you should own this show: Falkoner Theatre, Copenhagen, March 5th 1979. No premiers, no special guests, and pretty much the usual 1979 set list. So why offer you this show at all?
One reason, and one reason only. That guy with the moustache who occasionally plays a bit of guitar. Tonight Frank is clearly in the mood. Long guitar solos litter this show, and each and every one is a worthy effort. From the opening Deathless Horsie, through to a great Treacherous Cretins at the end, Frank is on tonight.
And that’s all you really need to know…


Frank Zappa - Tengo Na Minchia Tanta [1970]





Este disco foi gravado ao vivo diretamente da mesa do operador de som, apresentando excelente qualidade sonora. Segundo informações na capa, foi gravado em novembro, no Fillmore East, em 1970. Mas alguns pesquisadores têm dúvidas quanto a isso, há quem diga que foi no Fillmore West, outros falam que foi em outro mês, etc, etc, etc... O certo mesmo é que foi nos EUA, em 1970 e que junto com Frank Zappa estavam: Mark Volman, Howard Kaylan, Jeff Simmons, Aynsley Dunbar, George Duke e Ian Underwood. O nome em italiano foi tirado de uma cena do filme Uncle Meat, produzido nos anos 60, mas lançado apenas em 87. A tradução seria algo como Eu Tenho Pau Grande (ou coisa parecida), posteriormente o CD foi relançado na Itália com o título de A Snail in My Nose (Uma Lesma no Meu Nariz). Maiores detalhes no texto em inglês.






Frank Zappa - Tengo Na Minchia Tanta

The Italian title comes from a 1980s number in the Uncle Meat movie and on the Uncle Meat CD re-issue; an Italian has translated it as "I got a big bunch of dick". An Italian re-issue is cowardly renamed A Snail in My Nose.
This seems to be hodge-podged together from tapes of two shows that night (that goes also for the Freaks & Motherfuckers boot). Tracks 1-5 are probably from the early show and tracks 8-14 from the late show (?). Tracks 6-7 could be from both. The "Interlude" includes "Raindrops Keep Falling on My Head", and track 13 includes 40 seconds of "Inca Roads" (a very early version, of course, with only the 16th-note theme) and 24 seconds of "Easy Meat". Around the track break between tracks 11 and 12 there are some "Mudshark Variations".
"Sharleena" is the same performance as on Hotel Dixie. Tracks 11-14 are the same recording as side two of Freaks & Motherfuckers and Hotel Dixie.
The location and date of this show is up for grabs. Beat the Boots claims it as Fillmore East 11-May-1970, which is wrong; the Flo & Eddie band had not been formed then. According to fanzine T'Mershi Duween, the tape the boots are struck from is recorded at the Fillmore West and sometimes identified as 24-May-1970, sometimes as 6-Nov-1970. (As Mike Phillips points out, Zappa does talk about "the speech-impediment lounge at the Fillmore East" during "Does This Kind of Life Look Interesting to You?".) Some people identify them as 14-Dec-1970, but according to Miles' book A Visual Documentary, Zappa was in Europe in December 1970, which has given rise to the date 14-Nov-1970. The Hotel Dixie boot claims to be from that date - but is it the same recording? Pick your favourite.
A Snail in My Nose has a different, imagainative track listing on the cover, but everyone says its a copy of Tengo 'na Minchia Tanta. The cover picture is a black and white snail on a colourful background. The Lost Rose CD cover has a sepia head-and-upper-body photo of Zappa playing guitar with a blurred portrait of him in the background.
Taken from: the zappa patio - http://w1.858.telia.com/~u85821131/






Dweezil Zappa - Go With What You Know [2006]







Não é Frank, mas é Zappa, Dweezil é filho de peixe e também toca guitarra. A primeira vez que eu o ouvi tocar, fiquei impressionado com o solo daquele adolescente que acompanhava o pai na execução de “Sharleena” (Chunga's Revenge -1970); já na segunda, fiquei decepcionado ao vê-lo acompanhando o ator canastrão Don Johnson (aquele mesmo do Miami Vice, se você não o conhece saiba que não está perdendo nada). Também fiquei desapontado quando ele falou que seu maior ídolo na guitarra era Eddie Van Halen, não é que eu não ache o Van Halen um bom guitarrista, mas para quem tem um Frank Zappa em casa, é pouco!
Segundo de quatro irmãos, Dweezil nasceu na Califórnia em 5 de setembro, de 1969, sendo registrado como Ian Donald Calvin Euclid Zappa, simplesmente porque o pessoal que fazia o registro dos nascimentos no hospital, recusou o nome escolhido pelos pais. Reza a lenda que esta alcunha incomum era o apelido carinhoso que Frank deu para o dedinho do pé de Gail (a Sra. Zappa). Excentricidades de um gênio musical que gostava de batizar os filhos com nomes esquisitos. Independente do registro, o menino sempre foi chamado de Dweezil pelos familiares e amigos. Somente aos sete anos é que descobriu que tinha outro nome e insistiu que seu apelido fosse seu nome legal. Gail contratou um advogado e conseguiram oficializar o nome.
Independente do fato de não ter começado com o pé direito, Dweezil vem ajustando o passo e está amadurecendo musicalmente, seus trabalhos estão cada vez mais complexos e ricos em harmonias e arranjos. Go With What You Know é o novo lançamento solo de Dweezil depois de um hiato de seis anos. Como destaque, o álbum apresenta uma versão alternativa para “Peaches Em Regalia”, composição do seu pai. A música foi escolhida entre as versões não lançadas no álbum Hot Rats (1969) e incrementada por Dweezil com novos overdubs. Na maioria das faixas ele conta com o baterista Joe Travers, sobre os outros músicos e músicas ele comenta: “Eu tinha duas aberturas focadas em solos de guitarra, então convidei o meu amigo T.J. Helmerich para fazer um solo maluco em “The Grind” e eu faço um duelo de guitarra com Blues Saraceno em "Thunder Pimp." Pete Griffin, que tocou comigo durante a turnê americana, fez o baixo em "All Roads Lead to Inca" (solo de Dweezil em cima do tema de “Inca Roads”) e Aaron Arntz, nosso tecladista na turnê, também toca nessa faixa. Na última musica do disco “Audio Movie", Mark Meadows executa o baixo, todo o resto eu fiz sozinho. Eu simplesmente quis que meu disco fosse uma experiência auditiva, como um passeio – que te leva a algum lugar da primeira à última canção. É claramente fincado na guitarra rock, mas há elementos acústicos e eletrônicos que eu nunca tinha usado na minha música antes”.






Dweezil Zappa - Go With What You Know


Go With What You Know is Dweezil Zappa's first new record under his own name in six years. Along with his original tracks, the album features an alternate version of his father Frank Zappa's composition "Peaches En Regalia." The version, culled from a previously unreleased alternate edit of the "Hot Rats" version, features new overdubs by Dweezil. Zappa is joined by drummer Joe Travers on most tracks, and he writes, "I had two guitar solo spots open, so I invited my friend T.J. Helmerich to play a crazy solo on "The Grind," and I have a guitar duel with Blues Saraceno on the song "Thunder Pimp." Pete Griffin plays bass on "All Roads Lead to Inca." He's playing bass on tour with us, and Aaron Arntz, our touring keyboardist, also plays on that track. Mark Meadows plays bass on the final track, "Audio Movie," but I did everything else. For me, I just wanted my record to be a listening experience, a ride - you go somewhere from the first song to the last song. It's definitely rock-guitar oriented, but there are acoustic elements and electronic elements that I haven't touched on in my music before.



Dweezil Zappa - Go With What You Know

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Frank Zappa - Dump All Over [1983]


Mais um arquivo ripado diretamente do vinil. Este bootleg tem uma qualidade de áudio acima da média (A-) e trás o registro da ótima apresentação realizada no The Palladium de Nova Iorque, em 01 de novembro, de 1981. Em edição especial, foram produzidas 200 cópias em vinil amarelo e mais 100 verdes. Banda: Frank Zappa, Ray White, Steve Vai, Tommy Mars, Bobby Martin, Ed Mann, Scott Thunes and Chad Wackerman.






Frank Zappa - Dump All Over

This recording is a digital enhanced copy of the vinyl. 200 copies were made on yellow vinyl, and 100 on green. Line-up: Frank Zappa, Ray White, Steve Vai, Tommy Mars, Bobby Martin, Ed Mann, Scott Thunes and Chad Wackerman.


Frank Zappa em Quadrinhos


Dois momentos de Frank Zappa nas revistas: O primeiro é uma história em quadrinhos chamada Viva la Bizzare, impresso pela primeira vez em fevereiro de 1994 pela Revolutionary Comics de São Diego, na Califórnia. A história foi escrita por Jay Allen Sanford e desenhada por Blackwell. O Segundo é uma foto-novela baseada em momentos do Thing-Fish um musical da Broadway que foi proibido. Este material foi publicado pela revista Hustler em abril, de 1983, e Frank Zappa escreveu e dirigiu a seção de fotos produzidas por James Baes.
No elenco:
Ike Willis - Thing-Fish
Annie Ample - Rhonda
Robert Axelrod - Harry
Phil De Carlo – O Italiano Desconhecido




Frank Zappa Comics

Two moments of Frank Zappa on the magazines: The first one is a comics named Viva la Bizzare, that was printing first in February, 1994, by Revolutionary Comics, in San Diego, CA. Wrote by Jay Allen Sanford with art by Blackwell. The second is a novel-photo based on scenes from the impending Broadway musical Thing-Fish. Wrote and directed by Frank Zappa and photographad by James Baes. Was printing on Hustler magazine in April 1983.
Starring:
Ike Willis as the Thing-Fish
Annie Ample as Rhonda
Robert Axelrod as Harry
Phil De Carlo as The Unknown Italian

Viva la Bizzare

Thing-Fish

Frank Zappa - Zappa Wazoo [2007]







Em princípio não era minha intenção postar este disco, mas depois de ouvi-lo com a devida atenção, fiquei tão entusiasmado com este novo lançamento (outubro deste ano) que não resisti em incluí-lo no meu Dezembro Frank Zappa. É um disco excelente e fica como uma boa sugestão para presente de natal. Aliás, eu ainda não tenho o CD original e se alguém estiver pensando em o que me dar de natal, já não precisa ficar mais pensando. Abaixo a tradução da resenha de Andreas G para o site Progarchives.com.

Esta é a esperada gravação ao vivo da banda do Grand Wazoo. Em 1972 Zappa montou uma big band integrada pelos melhores músicos de jazz da região de Los Angelis. Esta banda gravou dois excelentes discos de estúdio: Waka Jawaka (1972) e Grand Wazoo (1973), foi um momento de aproximação com o Jazz e esses dois álbuns são obrigatórios em qualquer “zappoteca” que se preze. O lançamento de 2006 "Imaginary Diseases" (também altamente recomendado!) era uma gravação da excursão do “Petit Wazoo", que foi uma variante reduzida desse grupo com uma seção menor de metais & sopros. O grupo completo do Grand Wazzo fez somente 12 shows e esta é a gravação do último concerto deles realizado em Boston. O disco 1 inclui as faixas "Grand Wazoo" and "Big Swifty", respectivamente gravadas nos álbuns Grand Wazoo e Waka Jawaka, soam um pouco diferentes aqui sendo adaptadas para um formato longo e mais dentro de um estilo avant-guarde. A forma como a banda toca e os solos são excelentes e realmente dão às musicas uma característica diferente das originais. Particularmente considero a versão de "Big Swifty" melhor que a interpretação de estúdio. O disco 2 inclui uma longa versão instrumental de "Greggery Peccary", sem a narração. Embora eu ame a narração da versão em estúdio, que dá um poder maior à música. Esta variante permite que você se focalize mais na música instrumental, enxergando-a sob uma nova luz. A faixa foi prolongada para mais de 32 minutos e, embora haja um ou dois pontos lentos, é no geral excelente. Destaque para um solo de cello muito interessante.Este é um álbum muito agradável. Creio que é o melhor novo lançamento póstumo desde Läther (1996). Qualquer fã da musica instrumental do Frank Zappa vai querer ter este disco. Se você gostou de Grand Wazoo e Roxy and Elsewhere, cara, você precisa ouvir este!






Frank Zappa - Zappa Wazoo


This is the long-awaited live recording of the Grand Wazoo band. In 1972 Zappa assembled a big band comprised of some of the top LA area jazz musiciansl. This band recorded 2 studio albums - Waka Jawaka & Grand Wazoo. This is as close as Zappa got to jazz. "Grand Wazoo", in particular, is a must-have for any Zappa collection.2006's "Imaginary Diseases" (also highly recommended!) was a recording of the "Petit Wazoo" tour, which had a smaller brass & wind section. The full "Grand Wazoo" band only did 12 shows. This is a recording of the final concert in Boston. Disc 1 inlcudes "Grand Wazoo" and "Big Swifty", the long songs from each of the two albums, plus "Aproximate", another long-format tune, which is more in the avant-guarde style. The band sections and solos are all excellent, and really give the peces a very different character than the originals. I consider the version of "Big Swifty" superior to the studio version.Disc 2 includes a lengthy instrumental version of "Greggery Peccary", minus the narration. Though I love the narration on the studio version, it does overpower the music. This version allows you to focus on the instrumental music in a new light. It is stretched out to 32 minutes and, though there is a slow spot or two, is generally excellent. A very interesting cello solo is a highlight.This is a very enjoyable album. I think this is the best new release since "Lather". Any fan of Zappa's instrumental music will want to get this one. If you like "Grand Wazoo" and "Roxy and Elsewhere", you need this!
Review by -> Andreas G (Andreas G) Progarchives.com

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Frank Zappa - Demo's [1986]



Não são exatamente Demos, mas...
A capa deste LP duplo bootleg, lançado em 1869 nos EUA foi produzida na Inglaterra, trata-se de uma edição de luxo do selo Red & Yellow. O som do CD foi extraído diretamente do vinil, utilizando-se de alguns recursos para reduzir o barulho da superfície. As faixas são de seis origens: 1- Sta. Mônica 11/12/1981; 2- faixas não lançadas do Crush All Boxes (1980); 3- Hollywood 22/07/1984; 4- Munique 31/03/1979; 5- The “hunchentoot” tracks, com overdubs (não me perguntem o que é “hunchentoot”, mas se alguém souber agradeço se me contar); 6- dia desses, num lugar qualquer em 1981. Entre essas últimas destaque para a última música do quarto arquivo, In France, que conta com a participação de Johnny Guitar Watson. Áudio de primeira em conteúdo e qualidade!






Frank Zappa - Demo's

"The cover of this double set released in 1986 states its origin as england. It has deluxe red & yellow labels. It is also available on compact disc using the lp as the source so some surface noise is audible. Johnny Guitar Watson plays on 'In France'.



Tracks from:
[1] 1981/12/11 concert Santa Monica, CA, USA
[2] The unreleased "Crush All Boxes" album, 1980
[3] 1984/07/22 concert Hollywood, CA, USA
[4] 1979/03/31 concert Münich, Germany
[5] The "hunchentoot" tracks, with studio overdubs
[6] 1981/--/-- umrk



As Dialéticas Negativas das Habilidades do Poodle #3



RHYTHM & BLUES




Zappa ouvia R&B até altas horas da noite acompanhado pelo seu colega de escola Don Van Vliet (mais tarde Captain Beefheart), singles de jukeboxes e por isso todos picados: blues eléctricos de Lightin’ Slim e Slim Harpo da editora Excello, R&B da costa Oeste de Clarence “Gatemouth” Brown, Johnny “Guitar” Watson, Chuck Higgins, Joe Huston, Don and Dewey, os blues urbanos de Chicago de Howlin’ Wolf e Muddy Waters, doowop dos Spaniels, Nutmegs, Paragons e Orchids. Esta precoce imersão em território proibido aos brancos e o surrealismo cultural do colega – o Oldsmobile azul-claro de Beefheart andava com uma cabeça de lobisomem montada no volante – permitiu a Zappa e a Beefheart apanharem, mais tarde, a onda do rock com música que era bem mais que mero rock ‘n’ roll amplificado ou blues de colegiais. A noção de um movimento de resistência genuíno – que explica o entusiasmo de Zappa pelos freaks, o desprezo pelo flower power e a sua relação ambivalente com a indústria do rock no final dos anos 70 e 80 – começou no reconhecimento da força emocional do R&B negro: a sua realidade. Embora seja excomungado pelo pós-modernismo (e a insistência de Derrida de que não existe nada para além disso), essa distinção é o equivalente cultural baixo da mesma discussão que diz que as especulações filosóficas não anulam as realidades da exploração capitalista e de classe. A recusa de qualquer idealismo exige não só uma distinção entre estalinismo e bolchevismo como entre Pat Boone e Little Richard.
Ao contrário da nostalgia animada por filmes como American Graffiti que se referem a uma experiência igual que todos “nós” devíamos ter experimentado, o entusiasmo de Zappa pelo R&B negro coloca-o em conflito com a sociedade corrente e as versões esterilizadas dessa música. Ele nem sequer gostava de Elvis.


O único disco do Elvis que gostei foi “Baby Let’s Play House”. Fiquei extraordinariamente ofendido quando gravou “Hound Dog” em 1956, porque eu tinha o disco original de Willie Mae Thornton e perguntei-me, “Como é que alguém pode fazer uma coisa destas?” Qualquer pessoa que comprasse o disco passava ao lado porque era óbvio que as pessoas nem sequer tinham ouvido falar de Willie Mae Thornton. Eles nunca passavam discos de negros nas maiores rádios.
A única maneira de ouvir aquelas coisas por que eu me apaixonava era sintonizar uma estação fanhosa que ficava a milhas de distância, ou então ir aos restos das jukeboxes, ou coisa parecida, onde se podia encontrar discos daquelas editoras – Peacock, ou Excello, coisas assim. Por isso, grande parte dos meus colegas de escola não faziam ideia, nem tinham conhecimento desse tipo de música. Aquilo que sabiam do rock era o que tinham ouvido quando alguns brancos decidiram, ah, perpetuar-se nesses discos de R&B. Quero dizer, isto já foi dito, mas é verdade – Pat Boone a cantar canções de Little Richard era um fenómeno absolutamente horroroso.

Bem, sabes, tu pões-te aí sentado a intelectualizar sobre esses discos, mas nos anos 50 eu estava na escola e eles eram reais. Quando os discos saíram eu ouvi-os e disse, “Sim, isto diz-me realmente qualquer coisa.”



Ao ouvir esses discos do anos 50 – os de Guitar Slim, Johnny “Guitar” Watson, Richard Berry, é difícil resistir à conclusão de Zappa. Claro, a “autenticidade” dos blues tornou-se mais tarde num agrilhoamento ideológico tão opressivo como os movimentos do Sinatra-júnior a partir de pop ‘n’ rolleiros como Fabian e Gene Pitney. É a habilidade de Zappa para articular estes paradoxos que torna a sua música tão especial. Contudo, as dialécticas não são um mero agnosticismo e é impossível compreender Zappa sem reconhecer a sua crítica social, o seu gosto por facto sociais e sexuais. Ele tem mesmo uma ideia da realidade material: isso explica o seu deleite pela documentação social, insistindo numa rigorosa inovação formal, a mistura de coisas triviais e abstracções que tem, efectivamente, adiado uma séria atenção crítica. O R&B deu base musical e inclinação sociológica: linhas de baixo e arranjos de metais, a sua visão de música era: o contra-ataque do vira-lata aos valores da classe média americana.


O desprezo de Zappa pela indústria rock cresceu nos anos 70 e também nasce do gosto pela criatividade diária que despontou no R&B dos anos 50. O comércio ainda não tinha chegado, atribuindo tarefas a profissionais e reduzindo os fãs a clientes passivos.

As pessoas que iam ver estes grupos gostavam mesmo deles. Não eram “espectáculos de rock” angariados por “promotores” – ao contrário, eram grupos de raparigas que alugavam a sala, contratavam o grupo, penduravam o papel crepom e vendiam os bilhetes (o primeiro concerto em que toquei – aquele em que me esqueci das baquetas – era patrocinado por um deles, as “BLUE VELVETS”).

A contribuição de Zappa como disco-joquei de R&B na estação de rádio da faculdade de Pomona (conservada por Zappa numa gravação e transmitida na rádio australiana em 1995) possuía algum do carácter “aqui têm três acordes – formem uma banda”, que os fanzines punk, como Sniffin’ Glue, tinham.



Aqui vai outra coisa que podem tocar no piano, se tiverem um à mão e estiverem cansados de tocar “Home on the Rage” dos Colors – têm de aprender dois tipos de acompanhamentos diferentes e podem tocá-los ambos em Dó que fica bem. O primeiro é assim [toca o acompanhamento de “Night Owl”], este é fácil de aprender, e aqui vai outro que também não é difícil [toca uma variação]. Bem, estes acompanhamentos, estes dois acompanhamentos funcionam com – oh, penso que são cerca de quinze mil canções diferentes de rock ‘n’ roll que podem cantar em festas.



Zappa segue depois para “Charva”, uma maravilhosa canção de amor adolescente, melancólica, onde se ouvem os versos:



Charva eu amei-te, eu sempre te amei
Amo-te desde a escola primária quando
cheirávamos cola



Será tão esquisito os Alternative TV, a banda punk liderada por Mark Perry, o editor de Sniffin Glue, terem feito uma tão autoritária versão de “Why Don’t You Do Me Right?”?: estavam ambos a falar das mesmas drogas. Provavelmente Perry soube que cheirar cola vinha dos Ramones, mas, por sua vez os Ramones tiraram a sua rotina do “gabba gabba hey” de Freaks, filme que deu nome ao culto a que Zappa aderiu (e que Zappa nomeia como seu filme favorito na resposta ao questionário da United Mutations: a principal obra de Tod Browning, banida durante trinta anos é, ainda, uma referência para a arte que resiste à normalização americana). Ainda sobre o assunto da intoxicação infantil, depois de alguns amigos terem bebido uns cálices de aguardente e desmaiado de seguida, Zappa formou uma banda chamada Black Out enquanto estava na faculdade. Zappa diz que, na altura, eram a única banda de R&B do deserto do Mojave: “três dos tipos (Johnny Franklin, Carter Franklin e Wayne Lyles) eram pretos, os irmãos Salazar eram mexicanos e o Terry Wimberley representava as outras pessoas oprimidas da terra”.
Zappa estava perfeitamente consciente das distinções sociais. Lancaster era uma cidade que crescia rapidamente devido ao emprego na Base Aérea Edwards (onde o Frank Sénior trabalhava), mas os agricultores de alfafa locais e os donos das mercearias tratavam os novos – principalmente os mexicanos do Sul e os negros do Texas – com desprezo. Em 1957, um concerto dos Black Out programado para Sun Village enfureceu as autoridades. Zappa foi preso por vadiagem, mas para frustração da polícia saiu em liberdade a tempo de participar no concerto. Houve uma enorme afluência de juventude negra e a dança do “escaravelho” de Motorhead foi um êxito. A própria banda foi protegida por eles quando um contingente racista de juventude branca os ameaçou. Sun Village foi comemorada em Roxy & Elsewhere – Johnny Franklin é citado. O “coxo” da canção era um homem famoso por dançar em frente de jukeboxes. Zappa foi convidado para ir a casa do “coxo” e ficou impressionado por encontrar um enorme e novíssimo Magnavox Stereo e no gira-discos uma cópia do Pássaro de Fogo de Stravinsky. Zappa não era o único transgressor na área.
Podemos ouvir os Black Out no Village, no primeiro Mystery Disc, a serem apresentados por uma improvisada Mestre-de-Cerimónias bêbeda. Depois ouvimos uma canção numa veia sentimental, bem-humorada, típica do R&B da costa Oeste. A cantora também era presença habitual.


Era uma mulher enorme que usava meias brancas enroladas por cima dos sapatos e cantava como um homem. Tinha voz de barítono e cantava com o grupo um blues antigo – “Steal Away” –, e, às vezes, com o Motorhead no saxofone. Ele não fazia a mínima idéia de como se tocava saxofone.


Embora o R&B parecesse “real” em comparação com a música ligeira, o R&B da costa Oeste possuía um toque de leveza. A música da costa Oeste tinha sentido de humor, enquanto que a música da costa Leste era mais deseperada. A música destes grupos chegou à Califórnia pela mão dos negros do Texas e desenvolveu a partir daí uma aura diferente.
As lendas do R&B da costa Oeste, Johnny “Guitar” Watson e Sugarcane Harris, proporcionam alguns dos melhores momentos da música de Zappa (“Andy”, “Willie the Pimp”) exactamente por causa da mistura de tristeza e frenesim estar tão próxima da música que eles exploraram. Little Richard era outro músico de Hollywood vindo do Texas, a experiência mais radical de travestismo e histeria do R&B: “Eu não queria cantar blues como um negro – queria gritar como uma mulher branca!
Esta frase contém um desafio social próprio da primeira onda de R&B. Mas também havia o sublime e sonoramente-estúpido Richard Berry, cuja rudeza revela um Dada bem refinado.
Em 1975, Zappa disse:


Sem tirar partido disso tornou muita coisa no R&B possível e se não fosse ele não apareceriam muitas pessoas. Ele era uma das mais importantes fontes obscuras do R&B da costa Oeste nos anos 50 – e agora nem tem contrato.


Quando Kevin Ayers disse que Johnny Rotten era a voz mais estimulante desde Little Richard e todas as bandas punk começaram a tocar “Louie Louie” de Richard Berry, o rock tornou a relacionar-se com a centelha que primeiro inspirou Zappa: a mente absurda e perversa do R&B. No final dos anos 70, Zappa estava demasiado ocupado com a empresa privada para fazer caso de tais continuidades e ignorou o punk como mais uma novidade. Foi Iggy Pop – outro expoente de “Louie Louie”, de uma intensidade que transcende as categorias do absurdo e sublime – que recebeu o título de “padrinho do punk”. Apesar de tudo, a atitude de Zappa tem sido sempre uma continuação da transcendental parvoíce do riff de “Louie Louie” – o coração revolucionário do rock.



Texto retirado do blog Fora de Cena que traduziu o livro de Ben Watson - The Negative Dialectics of Poodle Play. A tradução é em português de Portugal e por isso algumas palavras podem soar estranho, como o próprio título traduzido como: As Dialécticas Negativas das Habilidades do Caniche. O que no Brasil é: As Dialéticas Negativas das Habilidades do Poodle.

Frank Zappa - Swiss Cheese at the Festhalle Basel in 1974

Swiss Cheese trás o registro da apresentação dos Mothers no Festhalle Mustermesse, em Basel, na Suíça, em 1974. A capa é uma imitação do disco Roxy & Elsewhere, também ao vivo e lançado nesse mesmo ano e gravado com o mesmo line-up: Frank Zappa, Ruth Underwood, Napoleon Murphy Brock, Chester Thompson, Tom Fowler e George Duke. A qualidade da gravação é excelente e foi feita diretamente da mesa de som. Da faixa 21 até a 26, as músicas foram gravadas do show em Harrisburg, na Pensilvânia USA (07/11./1974); as duas ultimas fazem parte da apresentação no Capitol Theater, em Passiac, na Nova Jérsei USA (08/11/1974).





Swiss Cheese at the Festhalle Basel in 1974


This recording is a digital copy of the Frank Zappa CD bootlegrecord Swiss Cheese at the Festhalle Basel in 1974. The cover is "similar to Roxy & Elsewhere with a coloured photo of the 1974 Mothers on stage on the front and the back". This is a very good soundboard quality. Musicians: Frank Zappa, Ruth Underwood, Napoleon Murphy Brock, Chester Thompson, Tom Fowler and George Duke

Tracks 1-20 live at the Festhalle Mustermesse in Basel, Switzerland, 01-Oct-1974 (early show).
Tracks 21-26 live in Harrisburg, PA-USA 07-Nov-1974.
Tracks 27-28 live at the Capitol Theater, Passiac, NJ-USA 08-Nov-1974.







domingo, 16 de dezembro de 2007

Frank Zappa - Remington Electric Razor [1981]

Remington Electric Razor é um clássico bootleg contendo uma coleção de outtakes do próprio Frank Zappa que, dizem por aí, foram roubadas dele ou coisa assim. Muitas faixas são exclusivas deste disco e ainda são essenciais. Duas delas seriam lançadas anos mais tarde em um dos discos da série You Can't Do That On Stage Anymore. Algumas partes destas gravações também aparecem na caixa Apocrypha, transferidas diretamente do vinil pirata. A última faixa, que empresta o nome a este bootleg, tem um vocal feminino creditado à cantora country Linda Ronstadt. A qualidade de áudio é excelente. Maiores detalhes no texto em inglês.






Zappa - Remington Electric Razor



This Frank Zappa bootleg LP from the late '70s stands head and shoulders above most of its pirate cousins because of the top-notch sound quality (on both the live and studio recordings) and the relative rarity of some of the individual tracks. Because of the fidelity of the live cuts excerpted, one can surmise they came from one of Zappa's occasional appearances as a guest DJ on various local radio stations in the U.S., where he often brought along unreleased songs to broadcast. "Freak Me Out, Frank" is nothing more than Zappa discussing an audience member who kept appearing at a number of concerts during a tour and screaming that expression. "Moe's Vacation" is a feature for bassist Arthur Barrow, percussionist Ed Mann (heard on marimba), and drummer Terry Bozzio (the rest of the band sits out this number); it is followed by another instrumental, "Black Page No. 2," which is not listed on the record jacket at all. "Dong Work for Yuda" is labeled as the original version, but only Zappa could have said for sure; this a cappella version is doo wop as only Zappa could create, complete with lyrics that could never be broadcast on the radio. "Dickie's Such an Asshole" (mislabeled "Tricky Dicky") was Zappa's early potshot at then-President Richard Nixon, yet it did not make its commercial debut until the 1989 releases Broadway the Hard Way and You Can't Do That on Stage Anymore, Vol. 3" (and it is probably identical to the recording heard on the latter CD) some 15 years after Nixon's resignation. "Nite Owl" is a remake of an old 1950s single, with a falsetto backing vocal by Bob Harris. "My Name Is Fritz" is a circa 1968-1969 comedy bit in the studio; there are several mistakes in the dialogue (Jimmy Carl Black asks if he can shut off his suitcase) that Zappa edited out prior to its release. This track spoofs a stuffy German customs officer, played by Roy Estrada, who is searching the band's luggage. "Interview" is a rare studio outtake from Zappa's film 200 Motels, which was also omitted from the two-LP soundtrack and the later Rykodisc CD reissue. It features a soprano as an inexperienced reporter explaining she is there to interview the rock star; she's backed by an interesting mix of choruses (male and female) as well as some of Zappa's unique orchestrations, which incorporate a wild reworking of his song "A Pound for a Brown on the Bus." "I Can't Get Me No Satisfaction" is a brief song recorded during the 1978 tour; it's of little significance. The odd final track, "Remington Electric Razor," probably was conceived as a way to say that shaving would keep the police from bothering you during the hippie era; Linda Ronstadt is credited as the female singer on this novelty track, but the jury's still out. Although this bootleg LP is rather brief at just under 32 minutes, the great sound and relative rarity of most of these particular recordings make it highly desirable for Zappa fans to acquire.
From -> Ken Dryden, All Music Guide





Frank Zappa - Live in Frankfurt [1980]




Um grande concerto realizado em 2 de Julho, em Festhalle, Frankfurt. Ao todo são 115 minutos de um espetáculo dinâmico com grandes solos de guitarra, destacando-se uma versão especial de “In France”, música que seria lançada oficialmente (não esta edição) no disco Them Or Us de 1984. Esta é uma boa gravação feita da platéia com qualidade de áudio B/B+.







Frank Zappa - Live in Frankfurt


This is a very nice and dynamic concert with great guitar solo's and a special edition of In France. Recorded in 2-Jul-1980, Festhalle, Frankfurt, West Germany. It's an audience recording, with B/B+ sound quality.








Frank Zappa - Fred Zappelin [1980]


Este bootleg é composto de quarto apresentações realizadas em diferentes locais, mas todas no ano de 1980, sendo ripado diretamente do vinil e por isso temos apenas quatro arquivos que correspondem aos lados dos 2 LPs. O disco foi lançado originalmente em dezembro de 1980, tendo como capa apenas uma folha impressa em preto e branco, em tiragem de 2000 cópias. Posteriormente foram impressas mais 500 cópias em edição especial e capa colorida e ainda mais 500 em vinil colorido.

Faixas 01-09 ao vivo em Colónia (7-Jun-1980).
Faixas 10-11 ao vivo em Fenix, Arizona (13-Out-1980).
Faixas 12-17 e 21-23 são de dias e locais desconhecidos nos EUA (1980).
Faixas 18-20 são do Segundo show realizado no Palladium de Nova Iorque (1-Nov-1980)








Frank Zappa - Fred Zappelin

This recording is a digital copy of the Frank Zappa vinyl bootlegrecord Fred Zappelin. Issued in December 1980 with a black & white paper insert. The original edition was 2000 copies, but a re-press of 500 copies came in a deluxe colour sleeve, and another 500 copies were pressed on coloured vinyl.

Tracks 1-9 are live in Cologne 7-Jun-1980.
Tracks 10-11 are live in Phoenix, Arizona, 13-Oct-1980.
Tracks 12-17 and 21-23 are from various unknown US live dates late 1980.
Tracks 18-20 are from the late Palladium show in New York 1-Nov-1980.


As Dialéticas Negativas das Habilidades do Poodle #2


LICEU DE ANTELOPE VALLEY




Zappa impõe uma atitude prática aos seus materiais artísticos que estabelece ligações com o movimento Dada e a metodologia moderna. Quando frequentava o liceu de Antelope Valley, matriculou-se numa aula de arte como maneira de lidar com sua atitude “difícil”. Pegou num filme com dez minutos, arrancou a emulsão e pintou-o a seguir. Depois projectou os resultados enquanto músicos tocavam as suas composições. Esta rude atitude experimental caracteriza todos os momentos da sua obra, uma primeira versão do desejo de transgredir tabus de comportamento social. Mais tarde instruiu os membros da banda e desenvolveu as suas fraquezas com a mesma mistura de cinismo e atenção arrebatada que deu a este pequeno filme.
Embora seja lembrado pelo vice-director Ernest Tosi como “percursor dos beatnicks, por causa das patilhas e do bigode (Tosi foi nomeado a “confrontação favorita com a autoridade” na resposta de Zappa ao questionário da United Mutations), a atitude descomprometida de Zappa valeu-lhe o respeito dos professores. Para surpresa de Tosi, depois de ter ficado detido na escola e ter conseguido boleia, Zappa convidou Tosi a entrar em sua casa. O director da banda Mr. Ballard e Tosi ouviram Freak Out! mas só prestaram atenção à “bela música” de Frank e não às palavras rudes (que concluíram só lá estarem para “vender o disco”). O professor de inglês pediu-lhe que compusesse a banda sonora de um filme. O superintendente da escola, Dr. Knapp, aparece na capa de We’re Only in It for the Money. O terrorismo cultural de Freak Out! era metafórico, não era literal.



Texto retirado do blog Fora de Cena que traduziu o livro de Ben Watson - The Negative Dialectics of Poodle Play. A tradução é em português de Portugal e por isso algumas palavras podem soar estranho, como o próprio título traduzido como: As Dialécticas Negativas das Habilidades do Caniche. O que no Brasil é: As Dialéticas Negativas das Habilidades do Poodle.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Frank Zappa - Beauty Knows No Pain [1981]



Gravado da platéia, mas com qualidade de som bem aceitável, registra o segundo show de 27 de novembro, de 1981, realizado no Uptown Theatre de Chicago. Na banda estão Steve Vai, Tommy Mars, Bobby Martin, Scott Thunes e cia.





Frank Zappa - Beauty Knows No Pain



Recorded at the Uptown Theatre, Chicago, November 27th, 1981 (late show). Sound quality: Audience B+. In the line up are Steve Vai, Tommy Mars, Bobby Martin, Scott Thunes and Co.



Frank Zappa - Moby Gym [1980]








Não há muito o que dizer sobre este disco, ele fala por si só. Com Vinnie Colaiuta e Steve Vai no line-up, este foi um dos primeiros discos cuja capa foi feita aqui na casa inspirada na arte de Rick Griffin.




Frank Zappa - Donna You Wanna [1977]






Uaau! Este é mesmo um discaço que registra o show realizado no Palladium de Nova Iorque em 31 de outubro, de 1977 com Adrian Belew dividindo as guitarras com o Zappa. Audio Excelente!








Frank Zappa - Donna You Wanna

This is a great album from New York Palladium show in 1977/10/31. Excellent audio quality.

As Dialéticas Negativas das Habilidades do Poodle #1





OS PRIMEIROS TEMPOS




Vincent Zappa nasceu a 21 de Dezembro de 1940 em Baltimore, Maryland. O pai, Frank Vincent Zappa Sénior nasceu em Partinico, na Sicília, e emigrou para a América quando era criança. A mãe, Rose, era de primeira geração americana; o seu pai tinha vindo de Nápoles e a mãe tinha descendência francesa e siciliana. Frank Júnior era o filho mais velho de dois irmãos, Bobby e Carl e uma irmã, Candy. Os pais não ensinaram os filhos a falar italiano, embora o usassem como linguagem secreta para falar sobre dinheiro. No The Real Frank Zappa Book, Zappa atribui esta necessidade de esconder o passado italiano à posição assumida pela Itália na Segunda Guerra Mundial. Ele brinca com o desprezo pelos “rústicos” e com a insistência dos pais para o levarem a um dentista italiano. Cresceu na urbanização militar de Edgewood, Maryland.

O pai Frank formou-se na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill. Durante a faculdade trabalhou como barbeiro. O seu único instrumento era aquilo que Zappa chama uma guitarra “stroller”. Trabalhou como metereologista no Edgewood Arsenal, segundo Zappa, o trabalho estava ligado à produção de gás venenoso. Havia tanques de gás mostarda a uma milha da urbanização e todos tinham uma máscara de gás pessoal para os proteger de acidentes. O pai ganhava dinheiro extra a fazer de cobaia – experiências onde tinha de pôr adesivos na pele. Trabalhar para a indústria de defesa trazia todo o tipo de restrições burocráticas que impediam a socialização da família.

Em Freak Out!, nas “vulgaridades biográficas”, Zappa escreveu: “Aos onze anos, eu tinha um metro e setenta e cinco, pernas peludas, borbulhas e bigode... por alguma estranha razão nunca me deixaram ser capitão da equipa de softball.”Ele expôs o assunto a Michael Gray:


Tínhamos dois problemas. Um era a Autorização Especial de Segurança; o outroera o facto de o meu pai ter nascido na Sicília e a minha mãe ser da primeira geração de pais italianos e franceses. Na maior parte dos sítios onde vivemos,qualquer pessoa que não fosse cem por cento branca e americana era uma ameaça à sociedade, sabias? E estar associado a alguém com parentescos estrangeiros tornava-me a vida difícil e tornava-lhes a vida difícil. Eu nunca compreendi todo este aspecto da vida americana.


A família Zappa também mudava muito de casa. Passou um breve período de tempo na Flórida, o que fez melhorar um pouco a saúde de Frank, e depois voltou a Edgewood. Pouco tempo depois, em 1950, a família mudou-se para Monterey, na Costa Oeste, onde o Frank Sénior conseguira emprego a ensinar metalurgia na Escola de Pós-Graduação Naval. Ficaram lá três anos. Aos 12, Frank interessou-se por percussão e frequentou um curso de Verão com o professor Keith McKillop, aprendendo os rudimentos de percussão das bandas escocesas de gaitas-de-foles (a mesma base usada por muitos bateristas de jazz).



Punham os miúdos de onze e doze anos alinhados numa sala. Não havia percussões, eram apenas umas pranchas – não havia almofadas, era uma tábua sobreposta em cima de umas cadeiras – toda a gente se punha em frente da tábua e fazia ra-tle-ti-tat. Não tive uma bateria a sério senão aos catorze ou quinze anos, todo o treino fora feito no quarto, em cima de uma secretária – uma peça de mobiliário, outrora bela, que algum italiano perverso pintara de verde – que ficou com o tampo todo marcado pelas baquetas. Finalmente, a minha mãe acabou por me oferecer um instrumento de percussão e deixou-me praticar na garagem – uma tarola.


Foi o desenvolvido sentido rítmico de Frank que lhe tornou possível criar música que é efectivamente uma terceira corrente entre a música clássica e o rock, portanto este passado das percussões é altamente significativo. Em 1953 mudaram-se para Pomona, onde o pai Frank prosseguiu com a metalurgia na Convair e um ano mais tarde para San Diego onde trabalhou no míssil Atlas. Este estilo de vida nómada tornava difícil aos filhos a conquista de amigos. A experiência reapareceu em “Ned the Mumbler”, parte da ópera rock, I Was a Teenage Maltshop que a CBS recusou em 1964:


Sou novo na tua faculdade
Não tenho nenhuma miúda que chame pelo meu nome
Sou novo na tua faculdade
Não tenho nenhuma miúda que chame pelo meu nome
O meu pai trabalha para o governo e por isso
Estousempre a mudar de escola – que desgraça

Tou para aqui a resmungar no pátio da escola
Desejo que alguém saiba o meu nome
‘Tou para aqui a resmungar no pátio da escola
Desejo que alguém saiba o meu nome
Só Deus sabe como isto me dói e preciso de amigos
Por que é qu’as pessoas não entendem a minha dor?



Embora seja uma versão bem humorada de um blues depressivo – que gradualmente se transforma em rock ‘n’ roll quando o Ned se decide revelar às raparigas – há algo de comovente no escárnio da elocução e na guitarra desaustinada. O sentido de exclusão da principal corrente de cultura americana corre bem fundo em Zappa: mais do que as políticas explícitas, alimenta a crença subversiva da sua arte. As citações da estreia comercial de Zappa, Freak Out!, a combinação de protesto e amargura, a paradoxal psicologia negativa do “sem potencial comercial”, encaixaram de tal maneira em Swamp Dogg (o cantor político do produtor de soul negro, Jerry Williams Jnr.) que este as reutilizou na íntegra no seu primeiro disco, Total Destruction to Your Mind.

Uma vez realojado na Costa Oeste, Zappa, com o seu passado não-anglófono, teve como colegas uns “pachucos” mexicanos que partilhavam o seu entusiasmo pela música negra. A razão pela qual Zappa e os Mothers atingiram o som de R&B mais autêntico de todos os grupos brancos de rock dos anos 60, não foi devido à virtuosidade musical, mas sim à simpatia para com a atitude do R&B da Costa Oeste: uma mistura de dor, niilismo e celebração que caracteriza a música de Richard Berry, Big Jay McNeely e Johnny “Guitar” Watson. Zappa tocava bateria numa banda de R&B da faculdade chamada Ramblers; não tocou numa guitarra até aos vinte-e-um anos de idade.


Costumávamos ir para casa do Ministro, o filho era pianista e eu ficava sentado na sala com duas panelas e um par de baquetas, tentando tocar um shuffle enquanto
o Stewart Congden – o nome dele – tocava piano.


Em 1956 mudaram-se para Lancaster, Califórnia, para o deserto do Mojave, perto de Palmdale. O Frank Sénior trabalhava na Base Aérea Edwards enquanto Zappa frequentava o liceu de Antelope Valley. (continua...)


Texto retirado do blog Fora de Cena que traduziu o livro de Ben Watson - The Negative Dialectics of Poodle Play. A tradução é em português de Portugal e por isso algumas palavras podem soar estranho, como o próprio título traduzido como: As Dialécticas Negativas das Habilidades do Caniche. O que no Brasil é: As Dialéticas Negativas das Habilidades do Poodle. Ou ainda o termo: miúda = garota.

Frank Zappa - Ballet Music (2007)






Este é um bootleg de origem italiana, com boa qualidade de áudio e que trás apresetações ao vivo realizadas entre 68 e 73 com destaque para as faixa 1 e 5 gravadas em Nova Iorque (1970) quando os Mothers tinham como frontmans a divertida dupla Howard Kaylan e Mark Volman (ex Turtles).







Frank Zappa - Ballet Music



This is a Italian bootleg compilation with good audio quality from shows between 68 and 73. Featuring tracks 1 and 5 recorded in New York (1970) when Howard Kaylan e Mark Volman (ex Turtles) were front man of The Mothers.





quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Ten Years After - BBC Sessions [1967-68]

Bom, Ten Years After, dispensa maiores apresentações e todo mundo, ou quase todo mundo, sabe que a BBC sempre registra e arquiva seus programas. Este disco é o resultado de uma gatunagem que alguém andou fazendo nos arquivos da BBC para produzir um bootleg com diferentes apresentações de mister Alvin Lee & Cia. O que nos mostra também, que a “mão grande” em arquivos estatais não é uma exclusividade brasileira.

faixas 01-03: 21 de novembro de 1967
faixas 04-06: TOP POP, TV Holandesa, 16 de fevereiro, de 1968
faixas 07-09: 13 de março de 1968
faixas 10-12: 14 de agosto, de 1968
faixas 13-15: 13 de dezembro, 1968
faixas 16-19: BBC In Concert, data desconhecida







Ten Years After - BBC Sessions 1967-68 Plus

tracks 1-3: November 21, 1967
tracks 4-6: TOP POP, Danish TV, February 16, 1968
tracks 7-9: March 13, 1968
tracks 10-12: August 14, 1968
tracks 13-15: December 13, 1968
tracks 16-19: BBC In Concert, unknown date






The Who - King Biscuit Flower Hour [1973]

Esta é uma clássica transmissão do famoso programa de rádio norte-americano King Biscuit Flower Hour, realizada em 6 de dezembro de 1973 no Capitol Center (Largo, Maryland, USA) e que acabou sendo gravada, editada e publicada em diversos bootlegs com nomes e capas diferentes, mas muitas vezes apresentando apenas partes do show e não a apresentação completa como estou postando aqui. Com boa qualidade de som estéreo e mostrando um The Who em grande forma e num dos melhores momentos de sua carreira. Discaço pra ninguém botar defeito!

Outros bootlegs com esta gravação:
Decidedly Belated Response (vinyl)
Pinball Wizard
Tales From The Who (vinyl)
Tales From The Who
Taking The Capitol







The Who - King Biscuit Flower Hour

This may actually be mixed with material from the December 4th show from the Philadelphia Spectrum which was broadcast as part of the King Biscuit Flower Hour radio show. This material was originally captured on vinyl on Decidedly Belated Response and the vinyl (and cd) Tales From The Who. The Cd's Taking The Capitol and Pinball Wizard are from the same show(s), with the former containing several songs on neither of the aforementioned Cd's. If this is indeed from the Capitol Centre, then this would've been the last show on the North American tour.

aka:
Decidedly Belated Response (vinyl)
Pinball Wizard
Tales From The Who (vinyl)
Tales From The Who
Taking The Capitol







The Who - King Biscuit Flower Hour 1
The Who - King Biscuit Flower Hour 2

Peps & Blues Quality - Sweet Mary Jane [1969]



Esta é uma banda sueca formada em 1968 e que durou apenas um ano, o som dos caras é no estilo britsh blues. Conheci já faz um tempo num blog cujo o nome infelizmente eu não lembro, mas posso afirmar que o som é muito bacana. Para os fãs de blues, em especial do briths blues dos anos sessenta, uma degustada nesse Sweet Mary Jane é praticamente obrigatória. Pode encarar que o "bagulho" é do bom!






Peps & Blues Quality - Sweet Mary Jane [1969]