Frank Zappa - Live in Edinboro 1974


Frank Zappa - Live in Edinboro


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Com uma determinação musical tão rara – o simultâneo entusiasmo pela vanguarda do século XX e a subcultura do R&B – Zappa precisava de um estúdio. Os trabalhos ao vivo não deixavam espaço para a experimentação: nessa altura (como agora), as bandas que arranjavam trabalho, tocavam versões. Mas havia um curioso da electrónica, Paul Buff, que dirigia um estúdio em Cucamonga, na Califórnia (Cucamonga era uma mancha no mapa, representada pelo cruzamento da Route 66 com a Avenida Archibald). O mais que os fãs ouviram falar deste obscuro início, foi em 1975, com a nostálgica canção “Cucamonga”, juntamente com menções menores no disco pirata, Confidential (mais tarde Metal Man Has Hornet’s Wings). A fonte da maior parte deste disco pirata foi um programa de rádio australiano apresentado por Captain Beefheart e Zappa em 1975, onde o duo recordou e brincou enquanto passava faixas de Bongo Fury, gravações de arquivo de Cucamonga e improvisava “Orange Claw Hammer” ao vivo no estúdio...“Foi na noite em que tomei conta do Studio Z, entrámos no estúdio e ligámos os gravadores, por isso tenho gravações do Beefheart a cantar “Night Owl” e Ray Collins a cantar “Louie Louie” e depois punhamos um acompanhamento a tocar e brincávamos e fazíamos letras por cima”.
... “Assim que aprendi a usar o equipamento do estúdio fiquei sentado durante doze horas de cada vez a tocar todos os instrumentos, gravando e praticando o que iria fazer quando tivesse um estúdio maior. Para mim era um laboratório”.
“A partir da gravação podes chegar ao todo. Consegues sentir a atmosfera do lugar. E porque a gravação é em estéreo consegues ouvir o tom da sala e algum do ar velho que paira”.
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Este CD, como já é praxe por aqui, é mais um dos muitos ripados do vinil, só que neste caso a versão ganhou o nome de Charlie's Favourite (ô nominho besta!), mas no LP o título é muito mais interessante: Pink Elephants Never Cry (But They Sure Screw Like Hell). Foi gravado no The Ahoy, em Rotterdam, na Holanda em 15 de maio, de 1982. Embora a gravação seja de um único show, a qualidade do áudio cai na quarta parte do disco, como se viesse de outra fonte, mas nas três primeiras está muito boa. Durante a execução de "Tinsel-Town Rebellion," Zappa interrompe a música para pedir que não subam no palco, isso não é a primeira vez que acontece, ele sempre interrompia os shows quando um babaca resolvia aparecer e subir no palco. "Nig Biz" recebeu um corte em fade-out porque não havia mais espaço para ela no vinil. A capa (em p&b e impressa em papel azul claro) com pessoas sem rosto, lembra muito a do álbum Civilian (1980) do Gentle Giant e não trás muita informação, sequer tem a relação das faixas. O disco é uma produção do selo inglês Graham Bedford, com dedicatória “ao nosso amigo Charlie”.

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Dezembro está chegando ao fim e ainda falta muita coisa para servir, não sei se vai dar para colocar na mesa tudo que eu tinha em mente, então vou começar a servir o prato principal, senão essa ceia não vai chegar na sobremesa. A começar por esse matador Cuccurrullo Brillo Brullo, só o nome já vale o disco. Mais um ótimo bootleg que mistura apresentações entre 1971 e 80, e que foi lançado pelo selo italiano Seagull Records , em abril de 1990. O engraçado é que o selo é italiano, mas o nome é em inglês, parece coisa de brasileiro! Na verdade creio que muitos dessas origens são só para despistar.

Cuccurrullo Brillo Brullo
The front cover has a blue background with Zappa's blue face on it (from the Baby Snakes CD booklet) plus red snakes hanging from the top. There is also a picture of a woman in a red dress with Zappa's face (?). The title is hand-written in yellow letters. The back cover has a picture of Zappa's face from circa 1972-1975 on blue background, and lists the tracks, timings, venues and approximate dates.
Tracks from:
* Hordern Pavilion, Sydney, 25-Jun-1973
* KCET TV, Los Angeles (cover says KTC TV), 6/7-Aug-1974 (broadcast in December)
* Olympiahalle, Munich, West-Germany, 3-Jul-1980
* Fillmore East, New York, 1971
* Capitol Theater, Pasaic, New Jersey, 8/18-Nov-1974
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escrever música para filmes de cowboys, entre eles Run Home Slow, um filme escrito pelo professor de inglês do Liceu de Antelope Valley, Don Cerveris. O produtor, Tim Sullivan encheu-se de dívidas quando a estrela principal fez um aborto no terceiro dia de filmagens. O projecto foi abandonado durante anos. A falta de comida adequada provocou-lhe um ataque de úlcera e Zappa voltou para casa em 1960. Inscreveu-se no Liceu de Chaffey, mais uma vez, com o “único propósito de conhecer raparigas” e depois de um curso de harmonia leccionado por uma Menina Holly, conheceu Kay Sherman. Casaram um ano depois e saíram da escola, ele ainda frequentou um curso de composição no Liceu de Pomona. O casamento durou cinco anos. Sherman trabalhava como secretária no First National Bank of Ontario e Zappa na Nile Running Greeting Cards."Em Claremont, eu fazia trabalho de publicidade em revistas de negócios relacionadas com cartões de saudações. Desenhava cartões de saudações. Fazia umas coberturas em papel vegetal. Podia ter gerido o negócio sozinho. Os meus trabalhos práticos na escola, para além da música, eram principalmente em educação visual. Por isso é que as capas dos meus discos foram tão boas, mais tarde – não porque fosse eu a fazê-las, foi sempre o Cal Shenkel – mas porque estava a par da potencialidade desse tipo de coisas. E também gostava. Ainda tenho uma colecção de desenhos de alguns desses cartões."
"O ramo consistia principalmente na produção de cartões de cumprimentos em papel vegetal para velhas que gostavam de flores. Eu trabalhava no departamento onde se faziam os cartões e acabei por fazer também alguns horrorosos arranjos florais.
Depois apareceu um trabalho a desenhar e escrever anúncios para a imprensa local, o que incluiu algumas belezas para o First National Bank of Ontario da Califórnia. Também tinha tarefas como decorador de montras e vendedor de jóias e – o pior – vendi Enciclopédias da Collier porta a porta. Isto era realmente triste – mas pelo menos consegui ter uma visão de como aquilo funcionava.
"
Um outro projecto foi a música para o filme The World’s Greatest Sinner, filme feito para Tim Carey. As partituras de Zappa foram tocadas em 1960 por amadores e semi-profissionais reunidos pelo professor de música do Liceu de Pomona: cinquenta-e-dois músicos, dois microfones, misturados em mono num estúdio móvel fora do teatrinho do Liceu. Nas notas podia ler-se: A Orquestra Sinfónica de Pomona Valley dirigida por Fred E. Graff. Nas partes de rock ‘n’ roll Zappa toca guitarra, Kenny Burgen saxofone, Doug Rust guitarra ritmo e Al Surran bateria. Zappa descreveu as condições de gravação como: “rançosas”. Dominique Chevalier disse que o filme era de “quinta categoria”, mas os Cramps, sempre conhecedores da cultura-B americana, colocam o filme nos seus dez mais.LUX INTERIOR: É um dos melhores filmes rockabilly alguma vez feito. Timothy Carey é o protagonista e é simplesmente inacreditável. Trabalha numa companhia de seguros, um dia chega ao trabalho e diz, “Estou farto deste emprego.” E depois, “Oiçam todos: falei com o Sr. Simpson que diz que têm o resto do dia livre.” E manda todos os empregados para casa. O patrão chega e pergunta, “O que é que aconteceu?”, e ele diz, “Vou-me embora” [risos]. Quando vai para casa, a pé, vê uma banda de rock ‘n’ roll a tocar e tem a ideia de ser estrela do rock ‘n’ roll. Torna-se estrela de rockabilly, compra um fato e muda o nome para God Hilliard.
IVY RORSCHACH: Foi feito em 1961 e Frank Zappa fez a música.
LUX INTERIOR: As actuações são inacreditáveis. Começa a abanar-se e o cabelo cai... deve ter visto o Jerry Lewis ou coisa parecida... Rebola-se no palco e abana-se por todos os lados, numa apresentação ao vivo dá-lhe forte na guitarra. Se tiveres oportunidade de ver The World’s Greatest Sinner, ele muda-te a vida. Uau!
[Relinchar de um cavalo. Uma banda de rock toca o instrumental do tema “The World’s Greatest Sinner”, seguido de uma abertura orquestral.]
SATANÁS: Ah pois é, e é aqui que vive uma vulgar família americana. O Clarence está ali, o meu menino, igual a todos os meninos – a única diferença é que quer ser Deus.
[Relinchar de um cavalo.]
E isto saiu exactamente da boca de um cavalo. A Edna está ali, a sua maravilhosa mulher e o seu mano, que acompanha Clarence até ao fim – ela não teve outra escolha. Alonzo, o jardineiro, o fiel amigo de Clarence, bastante hábil a apanhar sementes.
[A orquestra toca “Semi-fraudulent/Direct-from-Hollywood Overture” que reaparecerá em 200 Motels.]
Todos querem agir, incluindo eu próprio. Oh pá, este Clarence é a minha grande oportunidade desde o incidente da maçã – não me deixes ficar mal, Clarence, não me deixes ficar mal rapaz, faças o que fizeres.
CLARENCE: Vamos, meus seguidores!
SATANÁS: Agora vai, Clarence, vai! Vai! Vai!
CLARENCE: O meu nome é God Hilliard! Sigam-me para todos os cantos e becos dos Estados Unidos!
SATANÁS: Deus – ouve-os. É fantástico! Para ti está reservado o melhor assento do meu lar, mas tens de manter este alto nível. A tua hora, ainda por chegar, ser-te-á anunciada por um representante meu que entrará em contacto contigo. Por outras palavras, Clarence – vai para o inferno! [Ri-se demoniacamente. Acordes dramáticos seguidos de flautas românticas e cordas.]
RAPARIGA: [Delicadamente.] Deus! Amo-te.
[Um arfar, mais música romântica, chilrear, longa secção de música orquestral.]
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Faz pouco tempo que eu encontrei este arquivo no blog The Clock That Went Backwards, logo na primeira orelhada saquei que era algo especial. Depois de uma ouvida mais apurada já tinha a certeza de que era o registro de uma grande performance de Frank Zappa, e ainda por cima com qualidade de áudio bastante boa. A tradução da resenha, de autor desconhecido, já diz tudo:
Não há uma razão histórica para se querer este show. Falkoner Theatre, Copenhagen, 5 de março, de 1979. Nenhum figurão, nenhum convidado especial, e nada demais foi acrescentado ao usual repertório da temporada. Assim, porque optar por esse show entre tantos?
Uma razão, e uma razão somente meu amigo: o cara de bigode que ocasionalmente toca um pouco de guitarra. Esta noite Frank estava claramente inspirado. Longos solos de guitarra são despejados neste show e cada um é melhor que o outro. Da abertura com “Deathlee Horsie”, percorrendo até a grande “Treacherous Cretins” no encerramento, Frank estava iluminado. E isso é tudo que você precisa saber...
Frank Zappa Live at the Falkoner Theatre
There is no historical reason why you should own this show: Falkoner Theatre, Copenhagen, March 5th 1979. No premiers, no special guests, and pretty much the usual 1979 set list. So why offer you this show at all?
One reason, and one reason only. That guy with the moustache who occasionally plays a bit of guitar. Tonight Frank is clearly in the mood. Long guitar solos litter this show, and each and every one is a worthy effort. From the opening Deathless Horsie, through to a great Treacherous Cretins at the end, Frank is on tonight.
And that’s all you really need to know…
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Frank Zappa - Tengo Na Minchia Tanta
The Italian title comes from a 1980s number in the Uncle Meat movie and on the Uncle Meat CD re-issue; an Italian has translated it as "I got a big bunch of dick". An Italian re-issue is cowardly renamed A Snail in My Nose.
This seems to be hodge-podged together from tapes of two shows that night (that goes also for the Freaks & Motherfuckers boot). Tracks 1-5 are probably from the early show and tracks 8-14 from the late show (?). Tracks 6-7 could be from both. The "Interlude" includes "Raindrops Keep Falling on My Head", and track 13 includes 40 seconds of "Inca Roads" (a very early version, of course, with only the 16th-note theme) and 24 seconds of "Easy Meat". Around the track break between tracks 11 and 12 there are some "Mudshark Variations".
"Sharleena" is the same performance as on Hotel Dixie. Tracks 11-14 are the same recording as side two of Freaks & Motherfuckers and Hotel Dixie.
The location and date of this show is up for grabs. Beat the Boots claims it as Fillmore East 11-May-1970, which is wrong; the Flo & Eddie band had not been formed then. According to fanzine T'Mershi Duween, the tape the boots are struck from is recorded at the Fillmore West and sometimes identified as 24-May-1970, sometimes as 6-Nov-1970. (As Mike Phillips points out, Zappa does talk about "the speech-impediment lounge at the Fillmore East" during "Does This Kind of Life Look Interesting to You?".) Some people identify them as 14-Dec-1970, but according to Miles' book A Visual Documentary, Zappa was in Europe in December 1970, which has given rise to the date 14-Nov-1970. The Hotel Dixie boot claims to be from that date - but is it the same recording? Pick your favourite.
A Snail in My Nose has a different, imagainative track listing on the cover, but everyone says its a copy of Tengo 'na Minchia Tanta. The cover picture is a black and white snail on a colourful background. The Lost Rose CD cover has a sepia head-and-upper-body photo of Zappa playing guitar with a blurred portrait of him in the background.
Taken from: the zappa patio - http://w1.858.telia.com/~u85821131/

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Go With What You Know is Dweezil Zappa's first new record under his own name in six years. Along with his original tracks, the album features an alternate version of his father Frank Zappa's composition "Peaches En Regalia." The version, culled from a previously unreleased alternate edit of the "Hot Rats" version, features new overdubs by Dweezil. Zappa is joined by drummer Joe Travers on most tracks, and he writes, "I had two guitar solo spots open, so I invited my friend T.J. Helmerich to play a crazy solo on "The Grind," and I have a guitar duel with Blues Saraceno on the song "Thunder Pimp." Pete Griffin plays bass on "All Roads Lead to Inca." He's playing bass on tour with us, and Aaron Arntz, our touring keyboardist, also plays on that track. Mark Meadows plays bass on the final track, "Audio Movie," but I did everything else. For me, I just wanted my record to be a listening experience, a ride - you go somewhere from the first song to the last song. It's definitely rock-guitar oriented, but there are acoustic elements and electronic elements that I haven't touched on in my music before.
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Frank Zappa - Dump All Over
This recording is a digital enhanced copy of the vinyl. 200 copies were made on yellow vinyl, and 100 on green. Line-up: Frank Zappa, Ray White, Steve Vai, Tommy Mars, Bobby Martin, Ed Mann, Scott Thunes and Chad Wackerman.
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Frank Zappa Comics
Two moments of Frank Zappa on the magazines: The first one is a comics named Viva la Bizzare, that was printing first in February, 1994, by Revolutionary Comics, in San Diego, CA. Wrote by Jay Allen Sanford with art by Blackwell. The second is a novel-photo based on scenes from the impending Broadway musical Thing-Fish. Wrote and directed by Frank Zappa and photographad by James Baes. Was printing on Hustler magazine in April 1983.
Starring:
Ike Willis as the Thing-Fish
Annie Ample as Rhonda
Robert Axelrod as Harry
Phil De Carlo as The Unknown Italian
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Não são exatamente Demos, mas...
A capa deste LP duplo bootleg, lançado em 1869 nos EUA foi produzida na Inglaterra, trata-se de uma edição de luxo do selo Red & Yellow. O som do CD foi extraído diretamente do vinil, utilizando-se de alguns recursos para reduzir o barulho da superfície. As faixas são de seis origens: 1- Sta. Mônica 11/12/1981; 2- faixas não lançadas do Crush All Boxes (1980); 3- Hollywood 22/07/1984; 4- Munique 31/03/1979; 5- The “hunchentoot” tracks, com overdubs (não me perguntem o que é “hunchentoot”, mas se alguém souber agradeço se me contar); 6- dia desses, num lugar qualquer em 1981. Entre essas últimas destaque para a última música do quarto arquivo, In France, que conta com a participação de Johnny Guitar Watson. Áudio de primeira em conteúdo e qualidade!

Frank Zappa - Demo's
"The cover of this double set released in 1986 states its origin as england. It has deluxe red & yellow labels. It is also available on compact disc using the lp as the source so some surface noise is audible. Johnny Guitar Watson plays on 'In France'.
Tracks from:
[1] 1981/12/11 concert Santa Monica, CA, USA
[2] The unreleased "Crush All Boxes" album, 1980
[3] 1984/07/22 concert Hollywood, CA, USA
[4] 1979/03/31 concert Münich, Germany
[5] The "hunchentoot" tracks, with studio overdubs
[6] 1981/--/-- umrk
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Esta precoce imersão em território proibido aos brancos e o surrealismo cultural do colega – o Oldsmobile azul-claro de Beefheart andava com uma cabeça de lobisomem montada no volante – permitiu a Zappa e a Beefheart apanharem, mais tarde, a onda do rock com música que era bem mais que mero rock ‘n’ roll amplificado ou blues de colegiais. A noção de um movimento de resistência genuíno – que explica o entusiasmo de Zappa pelos freaks, o desprezo pelo flower power e a sua relação ambivalente com a indústria do rock no final dos anos 70 e 80 – começou no reconhecimento da força emocional do R&B negro: a sua realidade. Embora seja excomungado pelo pós-modernismo (e a insistência de Derrida de que não existe nada para além disso), essa distinção é o equivalente cultural baixo da mesma discussão que diz que as especulações filosóficas não anulam as realidades da exploração capitalista e de classe. A recusa de qualquer idealismo exige não só uma distinção entre estalinismo e bolchevismo como entre Pat Boone e Little Richard.O único disco do Elvis que gostei foi “Baby Let’s Play House”. Fiquei extraordinariamente ofendido quando gravou “Hound Dog” em 1956, porque eu tinha o disco original de Willie Mae Thornton e perguntei-me, “Como é que alguém pode fazer uma coisa destas?” Qualquer pessoa que comprasse o disco passava ao lado porque era óbvio que as pessoas nem sequer tinham ouvido falar de Willie Mae Thornton. Eles nunca passavam discos de negros nas maiores rádios.
A única maneira de ouvir aquelas coisas por que eu me apaixonava era sintonizar uma estação fanhosa que ficava a milhas de distância, ou então ir aos restos das jukeboxes, ou coisa parecida, onde se podia encontrar discos daquelas editoras – Peacock, ou Excello, coisas assim. Por isso, grande parte dos meus colegas de escola não faziam ideia, nem tinham conhecimento desse tipo de música. Aquilo que sabiam do rock era o que tinham ouvido quando alguns brancos decidiram, ah, perpetuar-se nesses discos de R&B. Quero dizer, isto já foi dito, mas é verdade – Pat Boone a cantar canções de Little Richard era um fenómeno absolutamente horroroso.
Bem, sabes, tu pões-te aí sentado a intelectualizar sobre esses discos, mas nos anos 50 eu estava na escola e eles eram reais. Quando os discos saíram eu ouvi-os e disse, “Sim, isto diz-me realmente qualquer coisa.”
As pessoas que iam ver estes grupos gostavam mesmo deles. Não eram “espectáculos de rock” angariados por “promotores” – ao contrário, eram grupos de raparigas que alugavam a sala, contratavam o grupo, penduravam o papel crepom e vendiam os bilhetes (o primeiro concerto em que toquei – aquele em que me esqueci das baquetas – era patrocinado por um deles, as “BLUE VELVETS”).
A contribuição de Zappa como disco-joquei de R&B na estação de rádio da faculdade de Pomona (conservada por Zappa numa gravação e transmitida na rádio australiana em 1995) possuía algum do carácter “aqui têm três acordes – formem uma banda”, que os fanzines punk, como Sniffin’ Glue, tinham.
Aqui vai outra coisa que podem tocar no piano, se tiverem um à mão e estiverem cansados de tocar “Home on the Rage” dos Colors – têm de aprender dois tipos de acompanhamentos diferentes e podem tocá-los ambos em Dó que fica bem. O primeiro é assim [toca o acompanhamento de “Night Owl”], este é fácil de aprender, e aqui vai outro que também não é difícil [toca uma variação]. Bem, estes acompanhamentos, estes dois acompanhamentos funcionam com – oh, penso que são cerca de quinze mil canções diferentes de rock ‘n’ roll que podem cantar em festas.
Zappa segue depois para “Charva”, uma maravilhosa canção de amor adolescente, melancólica, onde se ouvem os versos:
Charva eu amei-te, eu sempre te amei
Amo-te desde a escola primária quando
cheirávamos cola
Será tão esquisito os Alternative TV, a banda punk liderada por Mark Perry, o editor de Sniffin Glue, terem feito uma tão autoritária versão de “Why Don’t You Do Me Right?”?: estavam ambos a falar das mesmas drogas. Provavelmente Perry soube que cheirar cola vinha dos Ramones, mas, por sua vez os Ramones tiraram a sua rotina do “gabba gabba hey” de Freaks, filme que deu nome ao culto a que Zappa aderiu (e que Zappa nomeia como seu filme favorito na resposta ao questionário da United Mutations: a principal obra de Tod Browning, banida durante trinta anos é, ainda, uma referência para a arte que resiste à normalização americana). Ainda sobre o assunto da intoxicação infantil, depois de alguns amigos terem bebido uns cálices de aguardente e desmaiado de seguida, Zappa formou uma banda chamada Black Out enquanto estava na faculdade. Zappa diz que, na altura, eram a única banda de R&B do deserto do Mojave: “três dos tipos (Johnny Franklin, Carter Franklin e Wayne Lyles) eram pretos, os irmãos Salazar eram mexicanos e o Terry Wimberley representava as outras pessoas oprimidas da terra”.
Zappa estava perfeitamente consciente das distinções sociais. Lancaster era uma cidade que crescia rapidamente devido ao emprego na Base Aérea Edwards (onde o Frank Sénior trabalhava), mas os agricultores de alfafa locais e os donos das mercearias tratavam os novos – principalmente os mexicanos do Sul e os negros do Texas – com desprezo. Em 1957, um concerto dos Black Out programado para Sun Village enfureceu as autoridades. Zappa foi preso por vadiagem, mas para frustração da polícia saiu em liberdade a tempo de participar no concerto. Houve uma enorme afluência de juventude negra e a dança do “escaravelho” de Motorhead foi um êxito. A própria banda foi protegida por eles quando um contingente racista de juventude branca os ameaçou. Sun Village foi comemorada em Roxy & Elsewhere – Johnny Franklin é citado. O “coxo” da canção era um homem famoso por dançar em frente de jukeboxes. Zappa foi convidado para ir a casa do “coxo” e ficou impressionado por encontrar um enorme e novíssimo Magnavox Stereo e no gira-discos uma cópia do Pássaro de Fogo de Stravinsky. Zappa não era o único transgressor na área.
Podemos ouvir os Black Out no Village, no primeiro Mystery Disc, a serem apresentados por uma improvisada Mestre-de-Cerimónias bêbeda. Depois ouvimos uma canção numa veia sentimental, bem-humorada, típica do R&B da costa Oeste. A cantora também era presença habitual.
Era uma mulher enorme que usava meias brancas enroladas por cima dos sapatos e cantava como um homem. Tinha voz de barítono e cantava com o grupo um blues antigo – “Steal Away” –, e, às vezes, com o Motorhead no saxofone. Ele não fazia a mínima idéia de como se tocava saxofone.
Embora o R&B parecesse “real” em comparação com a música ligeira, o R&B da costa Oeste possuía um toque de leveza. A música da costa Oeste tinha sentido de humor, enquanto que a música da costa Leste era mais deseperada. A música destes grupos chegou à Califórnia pela mão dos negros do Texas e desenvolveu a partir daí uma aura diferente.
As lendas do R&B da costa Oeste, Johnny “Guitar” Watson e Sugarcane Harris, proporcionam alguns dos melhores momentos da música de Zappa (“Andy”, “Willie the Pimp”) exactamente por causa da mistura de tristeza e frenesim estar tão próxima da música que eles exploraram. Little Richard era outro músico de Hollywood vindo do Texas, a experiência mais radical de travestismo e histeria do R&B: “Eu não queria cantar blues como um negro – queria gritar como uma mulher branca!”
Esta frase contém um desafio social próprio da primeira onda de R&B. Mas também havia o sublime e sonoramente-estúpido Richard Berry, cuja rudeza revela um Dada bem refinado.
Em 1975, Zappa disse:
Sem tirar partido disso tornou muita coisa no R&B possível e se não fosse ele não apareceriam muitas pessoas. Ele era uma das mais importantes fontes obscuras do R&B da costa Oeste nos anos 50 – e agora nem tem contrato.
Quando
Kevin Ayers disse que Johnny Rotten era a voz mais estimulante desde Little Richard e todas as bandas punk começaram a tocar “Louie Louie” de Richard Berry, o rock tornou a relacionar-se com a centelha que primeiro inspirou Zappa: a mente absurda e perversa do R&B. No final dos anos 70, Zappa estava demasiado ocupado com a empresa privada para fazer caso de tais continuidades e ignorou o punk como mais uma novidade. Foi Iggy Pop – outro expoente de “Louie Louie”, de uma intensidade que transcende as categorias do absurdo e sublime – que recebeu o título de “padrinho do punk”. Apesar de tudo, a atitude de Zappa tem sido sempre uma continuação da transcendental parvoíce do riff de “Louie Louie” – o coração revolucionário do rock.
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Swiss Cheese trás o registro da apresentação dos Mothers no Festhalle Mustermesse, em Basel, na Suíça, em 1974. A capa é uma imitação do disco Roxy & Elsewhere, também ao vivo e lançado nesse mesmo ano e gravado com o mesmo line-up: Frank Zappa, Ruth Underwood, Napoleon Murphy Brock, Chester Thompson, Tom Fowler e George Duke. A qualidade da gravação é excelente e foi feita diretamente da mesa de som. Da faixa 21 até a 26, as músicas foram gravadas do show em Harrisburg, na Pensilvânia USA (07/11./1974); as duas ultimas fazem parte da apresentação no Capitol Theater, em Passiac, na Nova Jérsei USA (08/11/1974).

Swiss Cheese at the Festhalle Basel in 1974
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Frank Zappa - Live in Frankfurt
This is a very nice and dynamic concert with great guitar solo's and a special edition of In France. Recorded in 2-Jul-1980, Festhalle, Frankfurt, West Germany. It's an audience recording, with B/B+ sound quality.

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