Este disco do King Crimson eu encontrei no blog
Shapeless Fish Tribune, que sempre posta muitos bootlegs do KC, mas não é muito criterioso quanto à qualidade das gravações. No entanto, se você é fã da banda vale a pena uma vista, pois tem muita coisa bem gravada no meio. Celebration of the Lizard é uma delas, a gravação está ótima e a seleção tão perfeita que poderia ser até um CD da série King Crimson Collectors Club. Trata-se de um show realizado durante a turnê americana de 1972 no Orpheum Theater, em Boston, no dia 27 de fevereiro. Este giro pelos EUA foi uma espécie de despedida daquela formação integrada por: Robert Fripp (guitarra e teclados), Ian Wallace (bateria), Mel Collins (saxofone e flauta) e Boz Burrell (baixo e voz). Eles se reuniram logo após o lançamento do terceiro álbum do grupo, Lizard, em 1970. Aconteceu mais ou menos assim: nem bem o disco foi para as lojas, o baterista Andy McCullouch e o baixista Gordon Haskell deixaram a banda e Fripp ficou também sem vocalista, já que era Haskell quem cantava. Ele então promoveu algumas audições para encontrar substitutos à altura, escolhendo Ian Wallace para a bateria e Boz Burrell para os vocais. Aí aconteceu um fato curioso: após ter ouvido dezenas de baixistas, ele decidiu que era mais fácil ensinar Burrell a tocar baixo!! Resolvido o problema, foram para o estúdio e gravaram o disco Island, que saiu em dezembro de 71, e no princípio Peter Sinfield, que fazia as letras, ainda estava com eles, mas logo após o lançamento de Island, Robert Fripp despediu Sinfield da banda, alegando que estava achando as letras complexas demais, na verdade os dois não vinham se entendendo a algum tempo neste sentido e a fraca vendagem dos dois últimos álbuns deve ter contribuído bastante nesta decisão.

A saída de Sinfield causou certo mal estar entre eles, mesmo porque aquilo já não era exatamente o que se podia chamar de família feliz e ficou resolvido que a formação iria se dissipar, mas antes eles fariam uma série de shows nos EUA. Próximo ao final dessa turnê, entre fevereiro e abril de 72, Ian Wallace comprou um gravador Ampex estéreo e o grupo resolveu plugá-lo na mesa de som durante os últimos shows. No final, Fripp pegou essas fitas e acabou editando um disco ao vivo batizado com o nome de Earthbound, lançado na Inglaterra em junho daquele ano. O distribuidor americano do Crimson, a Atlantic, achou que a qualidade das gravações não era boa o bastante e não lançou o disco nos EUA, mas voltou atrás e acabou lançando em 1975. Após deixarem o KC, Collins, Wallace e Burrell formaram uma banda chamada Snape, junto com o “blueseiro” britânico Alexis Korner, que durou aproximadamente um ano, quando Burrell saiu para formar o Bad Company, onde juntou uma boa grana, se aposentou e foi morar na Espanha onde faleceu em 21 de setembro de 2006. Ian Wallace tocou com uma infinidade de músicos do primeiro escalão como Bob Dylan and Crosby, Stills and Nash, Steve Marriott, Alvin Lee, Ron Wood, Jon Anderson, Stevie Nicks, The Traveling Wilburys, Joe Walsh e Larry Coryell. Morreu este ano no dia 22 de fevereiro em Los Angeles. Mel Collins, com o fim do Snape, tocou com Humble Pie e depois com um monte de feras como Phil Manzanera, Bryan Ferry, Eric Clapton , Camel, The Rolling Stones, Anthony Phillips, Caravan, Dire Straits, Roger Waters…Continua vivo e soprando por aí, a última notícia sobre ele é que formou uma banda só com ex-membros do King Crimson chamada
21st Century Schizoid Band que foi o último grupo onde Wallace tocou.
Talvez a qualidade dos tapes de Earthbound não fosse boa para um disco oficial, mas para um bootleg é mais que perfeita e foi justamente daí que saíram as músicas do Celebration of the Lizard, logo elas são outtakes do Earthbound, na verdade eu achei essa seleção até melhor que a oficial. Celebration of the Lizard também foi lançado com os nomes de Formentera Memories e de Colours Out of Time. Apesar de ser um bom disco, publicado com três nomes diferentes, lamentavelmente não consegui encontrar a capa original de nenhum, a que foi postada no Shapeless, é até bacana, mas está com péssima resolução e também não é a original. Para não dizer que não encontrei, achei três minúsculas (estão anexadas no arquivo), menores que uma caixa de fósforo, então me dei ao trabalho de confeccionar eu mesmo uma capa descente para este disco. Fiquei muito satisfeito com o resultado e espero que agrade a vocês também.
Fontes -> Wikipédia - Progressive Ears