segunda-feira, 24 de março de 2008

DAVID CROSS


Quase esquecido por aqui, ele foi uma peça fundamental dentro do King Crimson, aonde deixou a sua marca. Um músico virtuoso que sempre viajou pelas trilhas do rock progressivo com flertes no jazz e que, com o passar dos anos, continua cada vez melhor.





Embora Robert Fripp seja o líder e aquele que mais dá personalidade à sonoridade do King Crimson, sempre deixou espaço para que outros músicos dessem suas respectivas contribuições na formação dessa sonoridade, ao ponto de, mesmo depois da saída de um determinado músico, aquela contribuição ainda se mantivesse e a ela fosse agregada uma nova influência, vinda de um outro integrante e assim por diante, numa verdadeira somatória de influências e estilos. Bill Bruford, Mel Collins, Michael Giles, John Wetton, Adrian Belew e Tony Levin são os nomes mais lembrados quando nos referimos a esses músicos. Mas tem um sujeito que poucos se recordam, porém que teve uma participação importante nessa história. Estou falando do violinista britânico David Cross. Lembram dele? Não! Pois é, poucos se lembram. Além do violino, ele ainda toca teclados, incluindo o famoso mellotron que tanto caracterizou não só a sonoridade do grupo, mas também o próprio rock progressivo nos anos 70. Cross esteve no Crimson entre 1972 e 1974, participando das gravações dos últimos discos da primeira fase da banda: Larks' Tongues in Aspic (1973), Starless and Bible Black (1974), USA (1975) e Red (1974), esse último, uma obra-prima e o meu favorito. Detalhe: embora Cross participasse das gravações do disco, na capa apareceram apenas Wetton, Bruford e Fripp. Vai ver que ele faltou na sessão das fotos!

David Cross nasceu em Plymouth, na Inglaterra, no dia 23 de Abril de 1948. Foi introduzido no mundo da música por influência do pai que tocava piano e lhe deu o seu primeiro violino quando ele tinha 9 anos de idade. Nos tempos de escola, se interessava também, por arte dramática, era líder da orquestra do colégio, capitão do time de rugbi e tocava numa banda de folk-rock. Após completar seus estudos em 1970, andou por aí trabalhando como músico e compositor, tocando em grupos de rock e folk music até entrar para o King Crinson em 1972. Com o final da banda em 74, ele se juntou ao tecladista francês Cyrille Verdeaux, no Clearlight, participando da gravação do segundo disco do grupo, chamado Forever Blowing Bubbles (1975), considerado um clássico do gênero na opinião dos especialistas em rock progressivo e que está entre os trabalhos aqui dispostos. Logo depois ele formou o desconhecido Ascend, grupo que fazia um rock de improvisações, mas que não chegou a gravar um disco. Segundo Cross, deve existir em algum lugar um vídeo piloto de um programa da Thames TV apresentando a banda.

Ao final dos anos 70 e boa parte dos 80, David Cross andou bastante ocupado desempenhando funções diversas. Além de trabalhar como músico e compositor, ele atuou como produtor, diretor musical e ator (não o confunda com o cômico homônimo americano), envolvido com trabalhos no teatro, televisão, workshops e concertos por toda a Inglaterra e em alguns paises da Europa também. Foi um período de flerte com o jazz em que ele aproveitou para aprimorar seus estudos de violino, procurando ampliar suas habilidades de improviso. Próximo do final da década de 80, ele montou o They Came From Plymouth, que também não gravou nenhum disco e se apresentava nos pubs ingleses. Em princípio, era para ser uma banda de improvisações jazzísticas, mas acabou virando um grupo de rock. Nesse período, ele participou de três importantes projetos musicais, onde o primeiro deles foi o Radius, uma parceria com o tecladista Geoff Serle que resultou num som progressivo (estilo eletrônica/ambiente/groove) registrado no álbum Sightseeing (1988). O Radius, embora não fosse uma banda fixa, voltou a se reunir no futuro gravando uma série de outros discos. Cross ainda fez parte do Low Flying Aircraft, que lançou um álbum homônimo em 1988, mas depois, infelizmente não produziu mais nada. O som era bem legal, até mais interessante do que o do Radius, numa levada igualmente de rock progressivo, mas com elementos de jazzísticos, em estilo Canterbury Scene. O grupo contava com o tecladista Keith Tippett (King Crimson, Mujician), Jim Juhn tocando baixo e guitarra, e Dan Maurer na bateria. Finalmente em 1989, David Cross lançou seu primeiro disco solo, Memos From Purgatory (1989), trilha de um projeto artístico envolvendo dança, música, áudio-visual e luzes, cuja apresentação aconteceu no *Half Moon Theatre, de Londres. Por serem da mesma época fiquei meio dividido entre postar o Memos From Purgatory ou o Low Flying Aircraft, no entanto, como bom fã do Crimson, acabei optando pelo segundo por reunir Keith Tippett e David Cross.



Na década seguinte, o violinista oficializou a David Cross Band, com a tecladista Shiela Maloney (ela também fez parte do Radius) e o baterista Dan Maurer (Low Flying Aircraft) que já haviam participado do Memos From Purgatory. Na verdade, a única novidade no grupo era o cantor e baixista John Dillon. Com essa formação gravaram dois discos importantes: Testing to Destruction (1994) e Exiles (1998). Álbuns cuja sonoridade lembra bastante o King Crimson, em especial o Exiles (afinal era o nome de uma música do Crimson) que contou com a participação de Robert Fripp, Peter Hammill, John Wetton e Peter Sinfield, por isso mesmo, está entre os trabalhos disponibilizados aqui. Foi em 1999 que Cross fundou o seu próprio selo, a Noisy Records, fazendo o primeiro lançamento no ano seguinte, o álbum Civilizations, marcando o retorno do Radius, que não gravava desde 1994. O selo se destina aos seus próprios trabalhos, mas ele não descarta lançar outros músicos no futuro. Numa formação totalmente diferente, a David Cross Band voltaria à cena em 2005 com a gravação de Closer Than Skin, segundo lançamento da Noisy Records e um trabalho muito bom, também, disponível aqui. Nessa época, ele andou fazendo umas apresentações no Japão que acabaram rendendo algumas parcerias com músicos orientais. Uma delas com a cantora e pianista japonesa Naomi Maki, registrada no álbum Unbounded, lançado pela Noisy em 2006. A outra foi com o guitarrista Haruhiko Tsuda (ex Shingetsu – lendária banda do rock progressivo japonês), cujo registro ainda não foi lançado em disco, mas deve sair em breve.

David Cross continua mais ativo do que nunca em suas múltiplas funções de músico, compositor, produtor, diretor musical, dono de gravadora... Não bastasse tudo isso, atualmente, ele ainda é professor de Educação Musical na London Metropolitan University. Quando não está compondo, dirigindo, produzindo, lecionando ou gravando, o cara aproveita para girar o mundo fazendo algumas apresentações em parcerias como as citadas acima, ou com a David Cross Band. Em janeiro deste ano, ele esteve na Grécia se apresentando ao lado de Hugh Hopper, baixista da Soft Machine (um dos grupos mais importantes da Canterbury Scene). Agora, aqui no Brasil, até aonde eu sei, ele ainda não mostrou a cara. Mas quem sabe... Enquanto há vida há esperança!

*Half Moon Theatre além de ser um teatro, também é uma companhia, não sei até que ponto o grupo esteve envolvido na apresentação de Memos From Purgatory, mas tudo indica que fez parte do projeto.

Obs.: Na discografia que está no
All Music Guide você vai encontrar o álbum Back to Broke, lançado em 1996 pelo selo Endurance. Esse disco não tem nada a ver com o David Cross violinista inglês, trata-se do trabalho de um músico homônimo norte-americano, guitarrista, cantor, compositor e líder do grupo Crossection, que por sinal não é nada ruim, mas faz um som jazzístico com uma pegada blues, bem diferente do seu xará britânico.

Fontes:
Wikipédia, a enciclopédia livre.
David Cross web site.
Elephant Talk (entrevista de David Cross para a Music Box – um jornal musical Russo).
All Music Guide.
Rateyourmusic.com.
MySpace.com.



DAVID CROSS




Early days:
1949-1960 Father was a church and cinema organist and played piano in dance bands. David started learning violin at the age of nine. First violin bought from a junk shop for £1.00. Played right back for school football team.

Education:
1960-1967 Secondary school: A levels in Latin, Greek and Ancient History. Rugby player (Captain and Scrum-half). Started improvising.
1967-1970 Certificate of Education specialising in Music and Drama. Leader of College Orchestra. Formed folk rock band.
1993-1995 M.A. in Performing Arts (interdisciplinary performances, papers on structure in post-modern art music, the hermeneutics of rock journalism).

Career:
1970-1972 Musician, Composer. Concerts with folk and rock groups throughout UK, recording sessions etc.
1972-1974 Musician, Composer, Producer. Member of King Crimson rock group; tours of UK, Europe, USA & Canada. Recorded 5 albums for EG Records. Recorded Clearlight Orchestra album for Virgin Records. TV & radio broadcasts.
1975-1977 Musician, Composer, Producer, Musical Director, Actor. Formed ASCEND rock improvisation group; concerts UK and Nancy Jazz Festival. Theatre work at: Royal Court Theatre, Royal Court Upstairs, Bush Theatre, Wyndhams Theatre, Arts Meeting Place.
1977-1978 Musician, Composer, Producer, Musical Director, Actor. Freelance in Dublin, sessions, concerts, formed 12 piece band. Abbey Theatre Dublin. Players Theatre Dublin, Trinity College Dublin, Project Arts Centre Dublin. Initiated Improvisation Workshops at Project Arts Centre - featured on RTE Television.
1978-1979 Musician, Composer, Producer, Musical
Director, Actor. Director (Music Theatre) Tour of Holland with theatre & music. BBC, Music Box, ICA Theatre, Bristol Old Vic Theatre Company, Productions at Theatre Royal Bristol, Festival Theatre Buxton, Assembly Rooms Edinburgh. Arnolfini Arts Centre Bristol. Theatre Centre (TIE touring, inner city areas in London, Manchester, Liverpool).
1980-1989 Musician, Composer, Producer, Musical Director, Director (Music Theatre). Audio-visual and video presentations. Performing in jazz groups and with own rock band; concerts in UK, Le Mans Jazz Festival, broadcasts on RADIO 3 and in France. Leicester Haymarket Theatre (12th Night). Recorded 2 albums for United Dairies Records. Recorded 2 albums for Dossier Records. Recorded 2 albums for Red Hot Records. Sessions on various recordings. Directed staging of Memos From Purgatory at the Half Moon Theatre and other venues using dancers, musicians, lights, slides etc. Formed Beckett Music: Performances at Riverside Studios and other Arts Centres. Dance Company 7 ,(Afro-Carribean Dance) at Royal Festival Hall, Queen Elizabeth Hall, Purcell Room & other venues.
1990-1999 People Moving Dance Company at The Place, Chat's Palace etc. Concerts in Germany, Belgium, & UK. The Essential King Crimson - Frame By Frame boxset ,released by Virgin Records. 3rd album for Red Hot Records, David Cross - The Big Picture released Europe and Japan October 1992. The Great Deceiver - King Crimson released by Virgin Records November 1992. 4th album for Red Hot Records, David Cross - Testing To Destruction released Europe and Japan October 1994. Featured on German television. Formed creative partnership
with Dean Allen as the god brothers, co-writing, directing,and acting in That World (a play with music) performed at Interchange Studios October 1995. Featured on System Collusion (Geoff Serle - Severe Test) (1995). Devised Dance/Music piece, The Walking Self with Verity Blackman performed at Chisenhale Dance Space March 1996. Featured on Dean Carter album Psychomuzack (1997). King Crimson - The Night Watch released worldwide (1998). Featured on album by Joe Hisaishi(Lost Paradise).David Cross - Exiles album released in Europe, USA and Japan featuring performances by Robert Fripp, Peter Hammill, John Wetton and a collaboration with Peter Sinfield. Formed Noisy Records (1999). Discipline Records release The Beat Club Bremen (1972) as a mono collectors' CD (1999).
2000-2005 Radius album Civilizations released on Noisy Records (2000). Interdisciplinary performances created with Verity Blackman (dance) and Maurizio Pio Rocchi (painter). Senior Lecturer in Music Education at London Metropolitan University (2001). Collaboration with Mick Paul and Richard Palmer-James to write David Cross Band album Closer than skin (released 2005). Developed solo violin performances during 2004-2005. Concerts in London, Tokyo, Osaka and Athens. Recorded Unbounded with Japanese singer pianist Naomi Maki. Collaborations with Haruhiko Tsuda (featured on the forthcoming album Navigator), Korekyojin and Shuichi Chino in Japan and Chris Stassinopoulos in Greece.

From -> Official site of David Cross




King Crimson - Atlanta 1973 Real Stereo




Clearlight - Forever Blowing Bubbles [1975]
or
Clearlight - Forever Blowing Bubbles [1975]




Low Flying Aircraft - Low Flying Aircraft [1988]




David Cross - Exiles [1998]




David Cross - Closer Than Skin [2005]


domingo, 9 de março de 2008

The Rolling Stones - The Black Box [2000]





Eu sei, é apenas rock’n’roll, mas eu gosto, ainda mais quando os Rolling Stones vêm assim embalados em quatro CDs recheados de raridades, outtakes, alternates e inéditas. Um bootleg precioso colocado no mercado pelo afamado selo Yellow Dog que lançou esse box emprestando o nome de uma caixa de três LPs lançada em 1978. No entanto, poucas são as faixas em comum entre os dois lançamentos.

Segundo a lenda, a primeira Black Box nasceu de uma seleção de músicas feita por Bill Wyman na época da coletânea Metamorphosis (1975) e mais uma série de faixas que geraram dois discos pelo selo bootleg Rolling Stones Vinyl Product (RSVP, não tem ligação com a banda), o terceiro era uma cópia de um antigo lançamento do Trade Mark of Quality, provavelmente o mais conhecido selo pirata da era do vinil. O título The Black Box foi criado porque os Lps vinham sem rótulos, embalados apenas numa caixa preta. Entre as faixas que compunham o primeiro lançamento estavam: “Bright Lights Big City”, “Cops and Robbers”, “I'd Much Rather Be With The Boys”, “Little Red Rooster” (Live), “Down The Road Apiece” (Live), “Don't Lie To Me”, “If You Let Me”, “Godzi”, “Panama Powder Room”, “Gold Painted Nails”, “Fannie Mae” e “Down In The Bottom”. Esta informação consta no livro "The Rolling Stones An Illustrated Record” escrito por Roy Carr em 1976. Eu gostaria de ter postado também essa caixa, mas... “You Can't Always Get What You Want”!

Em 1994, a Yellow Dog lançou em uma caixa preta, três CDs com gravações tão preciosas quanto o lançamento homônimo anterior, mas com faixas diferentes. Essa caixa foi re-lançada em 2000 como Millenium Edition, trazendo um CD bônus e acompanhada de um livreto que lista os títulos das canções e suas respectivas datas de gravação. Fotos impressas no próprio CD exibem ótimos momentos do início da banda. O primeiro CD deste set passa pelos anos iniciais da banda com uma retrospectiva composta por takes alternativos e inéditos com excelente qualidade de som, e é exatamente esse lançamento que estou postando aqui para o deleite de vocês. É para dançar, cantar, pular, deitar e rolar. Oh Yeah!
Agradecimentos especiais a Bernardo Gregori pelo auxílio na tradução.





The Rolling Stones - The Black Box

I know it’s only rock’n’roll, but I like it, especially when The Rolling Stones themselves come fancily wrapped in a set of four CDs filled with rarities, outtakes, alternates and some of them never released before. A precious bootleg was put for sale by the renowned label Yellow Dog that borrowed this very name from a three LP box supplied in 1978. However, both products have only a few tracks in common.

According to the legend, the first Black Box has been conceived from a pre-selection authored by Bill Wyman at the time the compilation Metamorphosis was released (1975) in addition to a series of tracks which produced two records signed by the bootleg label Rolling Stones Vinyl Product (RSVP – which has nothing to do wit the band); whereas the third one was a copy of an old release made by Trade Mark of Quality, probably the best-known bootleg label of the vinyl era. The title The Black Box has been minted due to the fact that the LPs came without a printed label, merely packed in a black box. Among the tracks found in the first release were: "Bright Lights Big City", "Cops and Robbers", "I'd Much Rather Be With The Boys", "Little Red Rooster" (Live), "Down The Road Apiece" (Live), "Don't Lie To Me", "If You Let Me", "Godzi", "Panama Powder Room", "Gold Painted Nails", "Fannie Mae" e "Down In The Bottom". This piece of information is part of the book "The Rolling Stones, An Illustrated Record" written by Roy Carr in 1976. I would love to have posted this box as well, but, as you know… “You can’t always get what you want”!

In 1994, the Yellow Dog released three CDs – also in a black box – containing recordings as precious as the ones in the previous homonymous one; however the tracks were not the same. This Box was re-launched in the year 2000 as the Millennium Edition, which brought a bonus CD jointly with a booklet containing the song titles and recording dates respectively. Photos of excellent moments of the band in their early days have been directly printed on the CD. In this set, the first CD travels along their early years through a retrospective made of alternative as well as unreleased takes and which have outstanding sound quality. This is exactly what I’m posting here for your delight. It’s been made to dance, sing along, jump, rock and roll. Oh Yeah!
By Woody with informations founded in the Rollingstonesnet.com . Tanslation by Bernardo Gregori.





The Rolling Stones - The Black Box 1a
The Rolling Stones - The Black Box 1b


The Rolling Stones - The Black Box 2a
The Rolling Stones - The Black Box 2b





The Rolling Stones - The Black Box 3a
The Rolling Stones - The Black Box 3b



The Rolling Stones - The Black Box 4a
The Rolling Stones - The Black Box 4b

sexta-feira, 7 de março de 2008

Rush - Nuts & Bolts [1994]





Antes do postar The Fifth Order Of Angels eu estava dividido entre ele e o Nuts & Bolts. Os dois são excelentes, mas acabei optando pelo primeiro, devido ao seu valor histórico, músicas inéditas e tudo mais. Acontece que desde então não consigo parar de ouvir este Nuts & Bolts, que mesmo não tendo a mesma importância do The Fifth Order Of Angels, é um disco fantástico e com uma qualidade de áudio muito superior, afinal foi registrado 20 anos depois. É bem verdade que em 1994 o Rush já não gozava do mesmo prestígio de outrora entre a nova geração e pararia dois anos depois para só voltar à cena na virada do século com Vapor Trails (2002), mas isso não impediu a banda de fazer um show incrível como este realizado em 2 de abril, no Dane County Coliseum de Madison, Wisconsin (USA). Um puta show! Sem nenhum exagero, tanto é assim que faz mais de uma semana que estou ouvindo esse disco que traz interpretações antológicas de clássicos como “The Spirit Of Radio”, “Stick It Out”, “Limelight”, “Closer To The Heart”, “Xanadu”, “Tom Sawyer”... De modo que, mesmo não sendo minha intenção inicial, acabei resolvendo postar o Nuts & Bolts também e ver se vocês compartilham da mesma opinião.






Rush - Nuts & Bolts


Well, I was quite surprised when I received this recording in trade. Another soundboard from the Counterparts tour seemed to be a little too good to be true. But Geddy identifies the location as Madison, Wisconsin before starting in with Cold Fire, making it abundantly clear. Definitely a better sounding show than the Critical Mass/Mystic Symphonies show as this source is in stereo. The show itself is one of the better shows from the CP tour, the band seems really up for the show. There are a few weird transitions between songs, the indexing is wrong for Xanadu/Hemispheres/Tom Sawyer, but this is definitely digitally sourced and is very clean. I wish there was more information about the recording, but the artwork will divulge no secrets other than it has the wrong date! This is by far and away one of the finest sound board recordings I've yet heard. Sounds professionally mixed and very lively sounding. An absolute "Must Have", and everyone knows I prefer audience recordings to sbds, so that says something!
Review by -> The Digital Dan (From -> The Digital Rush Experience 2001-01-31)


I wasn't in great expectations when I received this show, as I already had the "Animated" and "A Night At The Spectrum" soundboards, and they both sounded great. This would be just another great show to add...I was completely in shock when I put these discs in the CD player! Not only the sound is absolutely perfect, but the band puts one of the best performances I have ever heard! They are playing very tight this night, and definitely having fun! The audience seems to be really into the the show too; when they finish "Time Stand Still", Geddy thanks the crowd and even says something like "You guys are in good voice out there tonight. We appreciate that." As always, you get the cool western intro to "Cold Fire" and the band intros in "Closer to the Heart", and this must be one of the funniest of all tour, I could hear this forever! Alex even makes fun of Neil's hat! IMHO, this is the best SBD of the Counterparts tour, and a must-have for any Rush fan, bootleg collector or not! It doesn't matter if you have a gazillion shows of this tour or you think Counterparts is the worst Rush album...for me this is a perfect recording and I guarantee you that these discs won't leave your CD player for at least 1 month!!!
Review by -> Bahia 2112 (From -> The Digital Rush Experience 2001-01-31)






Rush - Nuts & Bolts 1
Rush - Nuts & Bolts 2
Rush - Nuts & Bolts 3

sábado, 1 de março de 2008

Rush - The Fifth Order Of Angels [1974]



Há muito pouco para se falar do Rush que já não tenha sido dito, afinal esse power trio canadense marcou presença na biografia do rock mundial com seu som hard-rock-progerssivo se tornando um dos grupos mais admirados do planeta. O disco aqui postado remonta os primórdios da banda a partir do lançamento do primeiro álbum deles, batizado com nome do grupo, lançado em março de 1974. Quatro meses depois, mais precisamente em 29 de julho, o baterista John Rutsey deixava o Rush dando o lugar a Neil Peart, e em 26 de agosto lá estavam eles nos EUA fazendo uma apresentação no Agora Ballroom, de Cleveland-OH, show que foi gravado e transmitido pela rádio WMMS FM. Essa histórica gravação acabou virando o bootleg The Fifth Order of Angels. Este disco além de ser um dos primeiros registros de Neil Peart no Rush, também trás músicas inéditas como “Garden Road” e a gravação é tão boa que provavelmente foi retirada da fita original e não gravada da transmissão radiofônica. Trata-se de um disco obrigatório para os milhares de fãs do Rush espalhados nos quatro cantos do mundo!







Rush - The Fifth Order Of Angels

In 1974 Rush released their self-titled album. Shortly after that, in August, they played a gig in Cleveland at the Agora Ballroom, which was recorded live for the FM station, WMMS[1]. The concert was eventually released as an unauthorized live bootleg called The Fifth Order of Angels.
Drummer Neil Peart joined the band on July 29, 1974, approximately one month prior to this recording. He replaced founding drummer, John Rutsey.

From -> Wikipedia







Rush - The Fifth Order Of Angels 1
Rush - The Fifth Order Of Angels 2
Or
Rush - The Fifth Order Of Angels 1
Rush - The Fifth Order Of Angels 2

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

AMY WINEHOUSE

The Other Side of Amy Winehouse [2008]


Esse disco foi uma coisa que eu achei por aí e parece que é um bootleg, mas com uma qualidade de som tão boa quanto um disco original, estou postando porque simplesmente achei “dudu cassete”!! Aqui temos a mais nova porra louca (no melhor dos sentidos) do Grammy cantando coisas que nenhum diretor de gravadora deixaria passar em uma situação normal. No entanto, depois de premiada e aclamada, soltam qualquer boa gravação que tenham na mão no intuito de faturar um pouco mais em cima da estrela, portanto não será estranho se esse material for lançado oficialmente. O disco é bem isso que diz o nome, ou seja “o outro lado de Amy Winehouse”. Aqui ela canta coisas além dos R&Bs habituais e o resultado é simplesmente fantástico. A começar pelo ska "Monkey Man", e variantes alternativas de sucessos como "Rehab" e "Valerie", versões acústicas, jazzy, bluesy, os inevitáveis remix rappers muito em voga no momento (alguns até ficaram legais) e afins. Não vou entrar em maiores detalhes, quero que vocês ouçam e depois comentem, mas comentem cacete! De quebra, só para não perder o hábito, deixo de brinde um bootleg gravado em Berlim no ano passado.





The Other Side of Amy Winehouse

This record that I found on the Internet by chance, malgré its tremendous high quality, it seems to be a bootleg release. The reason I am posting it is that I honestly think it rocks – or jazzes. May I introduce to you the latest freak – freak is good – to be awarded with a Grammy who sings stuff no label executive would allow in any normal given situation. Nevertheless, once she’s been awarded a Grammy and standing oed by worldwide audiences, it will be no surprise if we find official releases of those recordings available on music stores front racks in order to opportunely make easy profit on this new shining star.The title of this Record could not fit better: “The other side of Amy Winehouse”. In addition to the traditional R&B tracks she dared to do a ska version of “Monkey Man”, as well as alternative variants of hits like “Rehab” and “Valerie” jazzy, bluesy versions and spliced with inevitable remix rappers – in vogue – some of which turned out as much superb as coherent. With no further a-do, I wish you all an enjoyable listening after which I’ll be looking forward to your comments. Don’t forget to send your comments, please, they are fundamental to this Blog. As a bonus, as I always do, I’m posting this precious bootleg which was recorded last year in Berlin. Enjoy!
English version by Bernardo Gregori




The Other Side of Amy Winehouse [2008] 1
The Other Side of Amy Winehouse [2008] 2



Tempodrom [2007]

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

JÚPITER MAÇÃ





Um bocado de psicodelia, com um tanto de mod, uma xícara de jovem guarda, um litro de tropicalismo, duas colheres de sopa de folk, mais um pouco disso e daquele outro, numa mistura de Beatles, Mutantes, Syd Barret (Pink Floyd), Tom Zé, Kinks, Caetano, Dylan, João Gilberto... Coloque tudo numa forma nascida em Porto Alegre, no dia 26 de janeiro, de 1968 e deixe amadurecer até os anos 90 do século XX da era cristã. O resultado é um ser inusitado chamado Jupter Apple, que já foi Júpiter Maçã, antes Woody Apple (Ops, não é parente meu não!), mas que foi batizado como Flávio Basso e hoje voltou a ser chamado de Júpiter Maçã. Tipinho estranho e metamórfico cujo trabalho musical (nas horas vagas ele, também, se aventura como cineasta) mistura todos os ingredientes citados acima, tendendo mais para um estilo ou para outro, sendo ora uma coisa, ora outra, ora nenhuma, nem outra. Complicado né? Neste caso a máxima de Tom Zé cabe muito bem: “eu to te explicado que é para te confundir, eu to te confundindo para te esclarecer”.

O nosso cítrico amigo tem história nas trilhas do rock gaúcho com passagem pelo TNT (anos 80) e no Cascavelletes (1987 – 1991). Depois disso, Flávio Basso adotou um estilo folk e saiu perambulando por ai sob a alcunha de Woody Apple, com violão e gaitinha no melhor estilo Bob Dylan. O Apple é uma referência aos Beatles influência marcante na sua formação musical. Já o Woody, eu não me lembro de ter lido ou ouvido alguma explicação dele a esse respeito, mas a julgar pelo estilo adotado só pode ser uma menção à Woody Guthrie (1912 - 1967), considerado um dos nomes mais importantes da folk music norte-americana e uma grande referência na música de Bob Dylan. Após essa breve incursão nesse universo folk, o nosso herói tira o Woody do nome e passa o Apple para o português, se intitulando Júpiter Maçã, gravando, em 1995, sua primeira demo com a banda Os Pereiras Azuis (futura Cachorro Grande). Essa demo já contava com futuro clássicos como “Lugar do Caralho”, regravada anos depois por Wander Wildner (Ex-Replicantes) e “Miss Lexotan 6mg Garota” que recebeu uma versão do Ira!.

Finalmente em 1997, ele lança seu primeiro disco solo, A Sétima Efervescência, que é calcado nos moldes de The Piper At The Gates Of Dawn, do Pink Floyd, com psicodelia e experimentação (e, por um leve momento, um prenúncio de sua obra ulterior, o final de "Sociedades Humanóides Fantásticas", uma bossa-nova psicodélica). As músicas desse disco são grandes referências do rock gaúcho. Contém algumas faixas fixadas no imaginário underground, como "Querida Superhist X Mr. Frog", "As Tortas e as Cucas", além das já citadas “Lugar do Caralho” e “Miss Lexotan 6mg Garota”. Após experimentar um relativo sucesso com o lançamento desse disco, torna-se Jupiter Apple, compõe em inglês, e decide misturar bossa-nova e vanguarda. Muitos fãs não o entenderam, preferindo a psicodelia "simples" do trabalho anterior. Essa mistura inusitada está muito bem feita no seu segundo disco, Plastic Soda (1999). Ele começa com uma canção de nove minutos, "A Lad And A Maid In The Bloom", que define o caráter inovador do disco.

Em 2002 é lançado Hisscivilization, o disco mais ambicioso (talvez incompreendido) de Jupiter Apple. Longas experimentações eletrônicas (destaque para "The Homeless And The Jet Boots Boy"), bossas elétricas e lounge, valsa, cítaras e MOOGs, condensados em momentos, ora de leveza, ora de paranóia. É seu disco mais hermético: se, para os que estavam acostumados com o rock and roll dos Cascavelletes, a Sétima Efervescência já era algo inesperado (psicodelia em doses cavalares), a reação causada pelos dois discos da fase Apple são ainda mais dramáticas.
Em 2006 era esperado o lançamento do disco Uma Tarde Na Fruteira, que acabou saindo somente em 2007, com uma edição especial lançada na Espanha, aonde recebeu ótimas críticas. Nele, o Apple volta a ser Maçã, mas continua explorando o lado brasileiro e experimental, com músicas já eternizadas no subconsciente do underground porto-alegrense, como "A Marchinha Psicótica de Dr. Soup". Esse disco pode ser considerado o mais acessível do autor. De certa forma, tudo que já foi composto pelo Júpiter está resumido neste trabalho: desde canções mod sessentistas, levezas jazz, baladas domingueiras e “bob-dylantescas”, concretismos e timbres eletrônicos.

Ainda no ano passado, as músicas do Júpiter Maçã rechearam a trilha sonora de Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock’n Roll, animação em longa metragem do cartunista paulista Angeli. Ele também lançou o álbum Jupiter Apple & Bibmo, pela Monstros discos, de Goiânia, com participações especiais no mínimo lendárias de: Prego (da Pata de Elefante) e Márcio Petracco (dos Locomotores). Isso, mais o fato do lançamento no velho mundo, talvez ajudem a trazer essa Maçã para um lugar ainda mais ao sol, porque apesar de tudo, Júpiter continua orbitando pelo underground e merecia um destaque maior, apesar da sua música ser um tanto retrô, lembrando uma série de referências do passado, essa velha receita ainda é muito melhor que muita coisa nova que está rolando por aí, principalmente se falarmos em termos de rock nacional aonde, com raras exceções, impera um pop (muito mais que um rock) recheado de mediocridade e intenções meramente comerciais.
A parte cinza do texto foi retirada do Wikipédia.
Outras fontes:
My Space, Whiplash, Trama Virtual e Elefant Records






JÚPITER MAÇÃ a.k.a JUPITER APPLE



Who is Júpiter Maçã? Where has this man come out from, a man who was only known until very recently by a very selected few in pop music's elite? The musical origins of this Brazilian filmmaker, multi-instrumentalist and composer take us back to the first half of the 90's, when he spawned a brief incursion in Dylan-esque territory under the moniker Woody Apple. He soon came back as Júpiter Maçã, his current name, with which he develops his personal version of a 60's inspired psychedelic sound in cult albums that don't cross the Brazilian borders, but do find an echo among an elite who whisper his name in each other's ears: among his following we find Tom Zé, Caetano Veloso, Arnaldo Baptista, Rita Lee, Sean Lennon, Tim Gane, Sean O'Hagan or Dean Wareham. A dream team of international good taste. "Uma tarde na fruteira" is Júpiter's fourth album, the firsy with an international distribution (now with his name in English), with which he will undoubtedly convince the rest of the world of the timeless beauty of his delicious modern Brazilian sound. The album is a complete revision of the history of the best Brazilian music, a mosaic formed by a thousand images and crafted with love, with care and with a deep knowledge of the subject. And not only soundwise, you know here at Elefant we consider the covers as an important part of the musical experience: the most illuminated have already spotted the obvious tribute designed Gregorio Soria has done on the cover to the records in the catalogue of exquisite Brazilian label Elenco (over fifty references, featuring classics by António Carlos Jobim, Sergio Mendes, Baden Powell or Roberto Menescal, all very enjoyable and with monocromatically gorgeous graphism). In such a beautiful envelope, JUPITER APPLE's actual sound takes us back, with its surrealistic, colourful imagery, to the most creative, explosive, exciting period in Brazilian music, the one going from the 50's to the 70's, the evolution that takes us from bossanova to MPB through Tropicalism. In his songs we find the same scents, the same colours and the same nostalgic yet optimistic exuberance that soaked the beloved recordings by OS MUTANTES, OS BRAÇOES, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Gal Costa... There's soft pop songs that remind you of the early Roberto Carlos, intimate bossanova à la Luiz Bonfa or Baden Powell, hedonistic easy listening to be filed with Sergio Mendes or Walter Wanderley, psychedelic pop and expanding symphonies that make you think of the best tropicalism or THE BEACH BOYS' "Pet sounds" and "Smiley smile". Pop art influenced histories, starred by beatniks, superheroes, bolshevists and tropical holidays, with the naïf bravery that made Brazilian experimental pop so daring and so artistically successful in its gold years. This is an album that could have been released in 1968, or in 1972. In 2007 it sounds as a delicious anacronism that, thanks to a special vision of a sound that was futuristic and original in its heyday, still sounds absolutely modern and different to anything else today. Who knows how has JUPITER APPLE managed to revive that old sound in such a faithful yet modern way (STEREOLAB, BROADCAST or Mike Alway would kill to have songs like "Menina Super Brasil" or "Act not surprised" in their repertoires... and for having the Brazilian blood run through their veins, a tradition that JUPITER APPLE has learnt from the cradle), because if there is a word to define this album, that is timeless: it sounds current, modern, but as if it had travelled in time; it jumps from one decade to the other, from past to future, and it makes us dream with times and sounds that have never existed or are still about to come.
From -> Elefant Records



Júpiter Maçã e os Pereiras Azuis - Demos [2007]


Esse disco eu descobri na internet como sendo a famosa demo gravada com Os Pereiras Azuis. Mas ouvindo mais atentamente se pode notar que as músicas vêm de mais de uma matriz e provavelmente são de épocas diferentes. Fica difícil dizer o que foi realmente gravado naquela época e o que veio depois. Procurei até cansar por maiores informações, mas não achei nada. No entanto e seleção de músicas é excelente formando um ótimo álbum, sendo assim achei que merecia uma capa legal e tratei de confeccioná-la. A foto em que aparece o Cachorro Grande(ex- Pereiras Azuis segundo a lenda) junto com o Júpiter foi uma montagem que fiz acreditando nas informações que encontrei.



Jupiter Apple - Plastic Soda [1999]



Trilha Sonora - Wood e Stock [2007]


quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

SCRAPOMATIC





Uns dias atrás eu estava ouvindo uma gravação da Derek Trucks Band e a voz do cantor me chamou a atenção. Parecia ser Warren Haynes e de repente ficou mais grave. Seria o Tom Waits em alguma participação especial? Eu fui conferir e descobri que não era nenhum, nem outro, o dono daquelas cordas vocais era Mike Mattison. Quem!? Fui procurar me informar e encontrei o Scrapomatic, a banda do cara. Uau! Me pegou na primeira orelhada, um blues com alta influências de raízes e ao mesmo tempo contemporâneo. Consultando o E-Music, um site de baixar músicas que eu assino e recomendo, achei o mais recente disco deles, o Alligator Love Cry que estou entregando de bandeja aqui para vocês. Quanto à história da banda não encontrei quase nada a não ser um texto fraco que estava no site oficial e tudo que consegui saber sobre o Scrapomatic foi retirado desse texto, mas o que mais importa saber nisto tudo é que é blues da melhor qualidade e sem cheiro de mofo!

O Scrapomatic é natural de Minneapolis - MN (USA) e começou com o cantor Mike Mattison e o guitarrista e compositor Paul Olsen, ambos influenciados por jazz e blues. Eles começaram a tocar juntos em meados de 1990. Não demorou muito para serem agraciados com o Minnesota Music Award nas categorias de Best R&B Group (Melhor Grupo de R&B) e Best Male Vocalist (Melhor Vocalista Masculino). Em 1997 o duo foi tentar a sorte no Brooklin, passando por quase todos os locais da área metropolitana de Nova York, inclusive o Carnegie Hall. Até que, em 2003, eles conseguiram gravar um álbum batizado com o nome do grupo e lançado pelo selo Artists House. Foi o suficiente para saírem do ostracismo e o jornal Boston Herald colocou o disco entre os dez melhores lançamentos do ano em meio aos chamados “hidden pearl” (pérola oculta) caracterizando-os como “o aperitivo perfeito do blues”. O Savannah Morning News também adorou o trabalho e publicou: “o Scrapomatic reafirma que a boa música ainda tem o poder de alimentar a alma.”

Fora das atividades do Scrapomatic, Paul Olsen permanece ativo em Nova York como bandleader, onde recebeu um importante prêmio da ASCAP (American Society of Composers, Authors and Publishers) pela autoria de “Transition” música do primeiro álbum deles. Mike Mattison assumiu a função de cantor principal na Derek Trucks Band em 2002, fazendo 125 apresentações anuais com o famoso guitarrista virtuoso. Seu primeiro disco de estúdio com a Derek Trucks, foi o Songlines, lançado pela Columbia Records em fevereiro de 2006, conseguindo as críticas mais favoráveis que a banda já obteve até hoje, sendo apontado por muitos como o melhor disco do grupo. Mas Mike também está no álbum Live at Georgia Theatre, de 2004, igualmente festejado pela crítica.

Como uma pegada nova, tanto para o blues urbano quanto para o rural, Scrapomatic chega com uma convincente variedade de faixas vibrantes, emocionais e cruas ao fazer sua estréia pelo selo Landslide Records. Alligator Love Cry o segundo lançamento em CD da banda, apresenta um blues poderoso, com sólido alicerce, encoberto com uma empolgante mistura de jazz, soul, alta carga vocal e um memorável sabor de scat (para quem não sabe, scat é um jeito de cantar imitando um instrumento, prática muito comum no jazz através de Ella Fitzgerald, Bobby Mcferrin, Louis Armstrong...). Bem, o disco está ai, e de quebra ainda vai dois bootlegs do Scrapomatic com excelente qualidade de áudio, mas com uma ressalva: em Live at Count de Hoernle aparecem às vozes de uma conversa durante umas duas faixas, provavelmente do apresentador que deixou o microfone ligado enquanto a banda tocava, mas fora isso o som está ótimo. Também vai no pacote um bom bootleg da Derek Trucks Band ao vivo no Sioux Falls Jazz and Blues Festival e os dois discos com a participação Mike Mattison, cortesia do amigo Ser da Noite, linkados diretamente do blog Collective-Collection. Ai está um pote cheio de mel, que é para vocês se lambuzarem de vez!


Scrapomatic


With a fresh take on both urban and country blues, Scrapomatic arrives with a convincing array of raw, outspoken and emotional tracks as they make their Landslide Records debut. Alligator Love Cry, the bands second CD release, demonstrates a solid foundation of potent blues, overlaid with a stunning mixture of jazz, sweet soul, highly charged vocals and a memorable taste of scat. The new album, enriched with themes that reverberate from street to bayou, has songs that can rock you down to sleep or stand up and slap you blind. Produced by five-time Grammy award-winning producer John Snyder and recorded at Dockside Studios in Maurice, LA., Alligator Love Cry boasts an exuberant collection of powerful songs that explore the often-blurry heights and depths of everyday life and the inner workings of the soul. Eleven originals surround cover tunes by The Replacements (Goddamn Job) and a public domain sing-along (I Belong To The Band). The album kicks off with Louisiana Anna, a laconic tribute to the Southern bar scene (or is it?) by way of a booming tuba backing, while the searing Horsemeat nails the harsh reality of street life. Conversely, So Much Love shows affection personified and a great big heart. Other standout originals include Lotus, an intriguing take on eccentric Manhattanites, the slide guitar driven, humor-laced Aint Got The Smile, and the melancholy but cathartic Graveside Blues.

The release is bolstered by an accompaniment of a savvy group of artists. Highlighting the guest appearances is new EMI Manhattan artist Kristina Beaty (vocals, violin) whose fiddle work and vocal harmony shine on the wayward travel epic, The Long Way Home. Beaty also soars on lead vocal for her own composition, The Other Side. Other musicians featured include Jeff Lipstein (drums, percussion) formerly with And You Shall Know Them By the Trail of the Dead and rock-legend David Johansen; George Rush (electric and acoustic bass, tuba, and vocals), formerly with Dan Zanes, and on loan from country-rock outfit Hem; and Robert Campo (trumpet) who made his name as a sideman with blues institution Clarence Gatemouth Brown.

Hailing from Minneapolis/St. Paul, MN and schooled individually in jazz, roots and blues music, Mike Mattison and Paul Olsen began playing together in the mid-1990s. After being recognized with Minnesota Music Award nominations for Best R&B Group and Best Male Vocalist, the duo decamped to Brooklyn, NY in 1997 and have since stomped their way through nearly every venue in the metropolitan New York area, including Carnegie Hall. In 2003, they recorded their self-titled debut album at Dockside with Snyder, which was released on his Artists House label. Chosen by the Boston Herald as one of its top ten hidden pearl releases of the year, the newspaper called it the perfect blues appetizer. The Savannah Morning News said Scrapomatic reaffirms that good music still has the power to feed the soul.

Aside from his Scrapomatic duties, Paul Olsen remains active in New York City as a bandleader and an ASCAP award-winning songwriter, for Transition from the duos first album. Mike Mattison joined The Derek Trucks Band in 2002 as its lead singer, and performs 125 dates annually with the renowned guitar virtuoso. Songlines, his first studio album with the group, was released on Columbia Records in February 2006 and garnered critical acclaim from The New York Times, Rolling Stone, Entertainment Weekly, and USA Today among others. Mattison is also featured on the recent DVD release by the DTB, Songlines Live.
From -> http://www.pbase.com/just_tim/scrapomatic




Alligator Love Cry


Live at Mexicali Blues


Live at Count de Hoernle


Live at Sioux Falls Jazz & Blues Festival 1
Live at Sioux Falls Jazz & Blues Festival 2


Songlines 1
Songlines 2


Live at Georgia Theatre 1
Live at Georgia Theatre 2
Live at Georgia Theatre 3
Live at Georgia Theatre 4

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

MESSER CHUPS






O mês de janeiro quase passa em branco, na verdade eu o deixei correr para que o Zappa ficasse mais tempo na página de abertura e planejava postar o Messer Chups há uma semana atrás. Acontece que as informações sobre este exótico grupo são um tanto quanto desencontradas. Os textos em português que eu encontrei estavam equivocados e os em inglês foram, com algumas exceções, traduzidos de originais em russo e alemão. Além dos eventuais erros de interpretação, havia ainda uma série de informações que não batiam umas com as outras, então foi necessário segurar o post e fazer uma pesquisa mais apurada sobre a banda. Bem... Espero que a demora tenha valido a pena!

O Messer Chups é um grupo soviético que faz um som tipo trilha sonora de ficção científica e terror barato, numa mistura de surfmusic com psychobilly e, às vezes, com uma pitada de Henry Mancine. Sua formação tem variado através dos anos. Atualmente o line-up é composto pelo guitarrista e líder Oleg Gitarkin, Denis “Kaschey” Kuptsov, na bateria e a bela (um mulherão de cair o queixo) baixista Zombie Girl (Svetlana Nagayeva) com seu visual pin-up. Apesar de uma sonoridade simples, a música deles é recheada de efeitos eletrônicos e temperada com samples de filmes clássicos da Sci-Fi e Trash Horror dos anos 50 e 60. A história do Messer Chups começou há mais de 15 anos em São Petesburgo (antiga Leningrado), na Rússia, a partir de uma banda chamada Messer für Frau Müller (faca para a senhora Muller – não me perguntem por que uma banda russa tem nome alemão, porque eu também gostaria de saber), que fazia um som (segundo eles mesmos) psycho-hardcore, com elementos do psychobilly. Os integrantes do grupo foram saindo um a um até que, em 1994, sobrou apenas o fundador Oleg Gitarkin. Decidido a mudar o estilo do som, ele se juntou com outro Oleg, Oleg Kostrow, do grupo Fantom, e juntos remontaram o Messer für Frau Müller desenvolvendo um delirante “sample-a-delic” musical. Em 1998, Kostrow foi morar em Moscou e Gitarkin em Hamburgo, na Alemanha. Como a continuidade da parceria ficou complicada, então ambos embarcaram em projetos solos. Kostrow lançou um CD batizado com seu próprio nome e Gitarkin chamou o seu novo projeto de Messer Chups (Nozhik Chups, em russo). O messer, em alemão, quer dizer faca (lâmina) e o Chups, vem da marca de pirulitos Chupa Chups. Segundo o cara, a idéia por detrás do nome é de que a música ainda mantenha alguns elementos de doce ingenuidade, embora o conteúdo abaixo dessa crosta açucarada seja tão bizarro quanto qualquer coisa. Entendeu? Nem eu, mas creio que esta seja a intenção do nosso “herói”.




A diferença maior entre a música dos dois Olegs é que Kostrow usa mais samples de cartoons (desenhos animados) e o seu som é mais digerível do que o de Gitarkin. A música do Messer Chupe utiliza um punhado de samples dos filmes de trash horror e outros de estilo B ritmados à surfmusic. Gitarkin toca guitarra, baixo, teclados e outros instrumentos e foi influenciado por antigas películas de terror italianas e americanas, sendo um obcecado por vampiros e monstros. Sua música está recheada de trechos retirados dessas películas. O Messer Chups faz uso do computador para combinar esses samples com a surfmusic e também antigos sintetizadores análogos soviéticos obtendo um resultado bem original. No line-up inicial do Messer Chups, Gitarkin tocava o baixo e era acompanhado pela produtora musical alemã Annette Schneider, que pilotava o sintetizador. Um ano depois ele retorna para São Petesburgo e a idéia de gravarem algo juntos num estúdio ficou difícil, mas Annette enviou alguns tapes para Guitarkin e dessa forma nasceu o primeiro trabalho do Messer Chups' chamado Monster and Monster (Chudovishe i Chudovishe), lançado como fita cassete em 1999. O som chegou aos ouvidos do Oleg Tarassov (sim, agora são três Olegs envolvidos na história!) que assumiu a função de produtor e resolveu lançar o trabalho em CD pelo seu selo, a Solnze Records. Mas quando começaram o processo, Gitarkin havia composto uma série de músicas novas para incluir no álbum e quando Tarassov examinou as canções, resolveu mudar os planos e eles decidiram usar as músicas em um novo disco. Chamaram então, o tecladista Igor Vdovin, mais alguns músicos convidados e regravaram as músicas antigas e as novas para criar o primeiro CD do Messer Chups: Miss Libido 2000, cuja sonoridade ainda estava muito próxima a do Messer für Frau Müller, porém mais influenciada por um estilo “cartoon music” do que “vampire trash”, contundo já ficava evidente o caminho que Gitarkin iria seguir. No verão de 2000, ele reuniu as músicas para o segundo CD, Bride of the Atom, com Vdovin tocando em algumas faixas. Miss Libido 2000 é um bom trabalho, mas Bride of the Atom é infinitamente mais polido, os samples são mais bizarros e menos ingênuos (incluindo toques de telefones, mulheres gritando e homens grunhindo), com a música mais misturada a elementos eletrônicos. Aqui a fixação de Gitarkin por monstros e vampiros começava a ficar mais evidente.

Em 2002, enquanto preparavam o novo disco, o produtor Oleg Tarassov se reencontrou com a música Lydia Kavina, de quem ele havia visto uma apresentação anos antes na Alemanha. Kavina é sobrinha-neta de León Theremin, o inventor do *teremin: um dos primeiros instrumentos musicais completamente eletrônicos e que foi projetado para ser tocado sem precisar de contato, pois é executado movimentando-se as mãos no ar. (Uma boa amostra do uso do teremin pode ser vista no filme do Led Zeppelin, “The Song Remains the Same”: durante a execução de “Whole Lotta Love” Jimmy Page usa o aparelho para produzir alguns efeitos sonoros.) Sendo descendente direto de Theremin, não é por acaso que Kavina toca o instrumento. Tarassov achou que seria uma boa idéia convidá-la para participar do próximo disco da banda: Black Black Magic. A combinação de surfmusic com aquele estranho instrumento, mais os samples, resultou em uma sonoridade única e diferente de tudo que se possa imaginar e Kavina tornou-se um membro oficial do Messer Cups. Esse disco conseguiu excelentes críticas para a banda, chamando a atenção de vários selos e músicos, incluindo o duo americano**Tipsy, que a convidou para compor uma faixa que seria gravada no seu CD: Tipsy Remix Party. O Messer Chups ficou mais do que feliz em aceitar o convite, oferecendo um take maravilhoso de “Hey!”. Pela Solnze Records foi lançada uma compilação de Gitarkin/Kostrow chamada Hyper Utesov Presents em que estão os dois Olegs apresentando-se sob vários pretextos, inclusive, o Messer Chups. Aproveitando os ventos favoráveis, a banda lançou o seu quinto CD, The Best of Messer Chups: Cocktail Draculina, em dezembro de 2002. Apesar do título, esse não é um CD de “melhores momentos”, mas sim um trabalho de releituras e remixagens das suas canções.

Em seguida ao lançamento de Black Black Magic, o Messer Chups embarcou em turnê, apresentado-se em São Petersburgo e nos Estados Unidos. Depois foram convidados para um giro na Suíça e Alemanha que coincidiu propositadamente com o lançamento de Cocktail Draculina. No último minuto, Igor Vdovin decidiu deixar a Messer Chups, quase condenando a turnê mesmo antes de seu início. Oleg Tarassov pensou em uma solução rápida e convidou Oleg Kostrow para acompanhá-los nessa turnê, reunindo os antigos parceiros da Messer für Frau Müller. Mesmo assim, a turnê pela Alemanha desmoronou e os dois Olegs decidiram, então, se apresentar na Suíça como um duo. Lydia Kavina que estava por lá fazendo algumas apresentações solos e também com uma orquestra, se juntou a eles para alguns dos espetáculos na Suíça. Ela também participou dos dois discos seguintes: Vamp Babes (2002 – para mim, o melhor disco do grupo com a participação dela) e Crazy Price (2003), este último foi produzido sob a chancela de Mike Patton (ex frontman do Faith No More), através da Ipecac Recordings e ainda contou com Maria Kapelova tocando harpa, mais um elemento inusitado na música do Messer Chups.



Em 2004 Svetlana Nagayeva, a glamorosa Zombie Girl, assumiu o baixo e no ano seguinte eles lançaram Hyena Safari, outro belo apanhado de experimentações e colagens sonoras ritmados pela surfmusic. Após um silêncio de três anos, em 2007, saiu Zoobie Shopping, também com sua usual mistura de surf guitar, trechos de filmes de vampiros e monstros e samples excêntricos. Aliás, o estilo surfmusic é o que mais se sobressai nesses discos, particularmente, eu prefiro a “mistureba” mais heterogênea dos trabalhos anteriores. Nos últimos anos, o grupo tem variado constantemente em sua formação, podendo ser apenas Gitarkin e Zombie Girl, acompanhados, ou não, de um baterista e outros músicos convidados, ou ainda com a presença de antigos integrantes como Lydia Kavina e Oleg Kostrow. Em muitas dessas apresentações, eles armam um telão mostrando cenas de filmes de monstros e vampiros, em um verdadeiro espetáculo trash de áudio visual. O Messer Chups continua a evoluir a cada novo trabalho. A imaginação fértil de Gitarkin nunca cessa na surpresa e nos leva a ponderar o que ele aprontará para o próximo disco.

* Apresentado pelo próprio inventor em 1920, o teremin opera através do princípio da produção de efeito heteródino em dois osciladores de freqüência radiofônicos e consiste de uma caixa com duas antenas externas, uma que controla a altura e a outra o volume, ao redor das quais o músico movimenta suas mãos para produzir som. O teremin também tem versões com teclado e com espelho, como o dos instrumentos de corda. (Wikipédia)

** Tipsy: banda de música eletrônica formada por Tim Digulla and David Gardner em São Francisco-CA (USA), em 1996, faz um som lounge com colagens sonoras experimentais, similar ao Messer Chups, mas em um estilo absolutamente distinto.


Fontes:
Cool and Strange Music Magazine #29 (by Cheryl Shinfield)
Site oficial:
http://www.messerchups.ru/
More Zvukov
Myspace
Wikipedia
All Music Guide
Agradecimentos especiais a Bernardo Gregori pela ajuda na tradução.





MESSER CHUPS

Messer Chups is project of Oleg Gitarkin. Gitarkin formed the band in 1998 during an extended stay in Hamburg. The original lineup was Gitarkin on bass and Annette Schneider, a German music promoter, on synths. Though amicable enough, this lineup did not work as Gitarkin and Schneider lived in different countries, leading to hellish logistics. In 1999, Gitarkin returned to St. Petersburg and found a keyboard player in Igor Vdovin, former vocalist for the band Leningrad. They toured as a duo in Russia and the United States in 2000-02. In 2003 a world-famous theremin player Lydia Kavina joined the band. She is the grandniece of Leon Theremin, the Russian inventor of the theremin, an instrument whose ghostly waw was a fixture in horror movies of the 1940s and '50s. Oleg and Lydia released together CD's – Black Black Magic, Vamp Babes Upgrade Version. Lydia participated on few tracks of most famous through licensed to Mike Patton's IPECAC Recordings album "Crazy Price". Zombie Girl came to the band in 2004.
In their music they combine surf, beats, film samples, scratchy historical recordings, loungey and cartoon sounds from the 50's and 60's. The show is combined with video from trash cult movies of the middle of the last century – Betty Page, Bela Lugosi , zombies, Russ Meyer's and Ed Wood's heroes all mixed in videocollages of the master Gitarkin.
The band’s instrumental rock is hard to neatly categorize, it’s safe to say that it would be enjoyed by fans of rockabilly, horror punk, scratchy surf records, Italian slasher films, My Life With the Thrill Kill Kult, pulp fiction, lounge music, Ed Wood, the theremin, the Cramps, Russ Meyer movies and the theme song from “The Addams Family.” Gitarkin incorporates all of these elements and more, layering samples from Russian B-movies over weird vintage keyboard chirps and groovy horn loops. Messer Chups have already released over a half dozen albums and a greatest hits collection, which is a little extreme unless you’re a diehard fan of this kind of stuff.
The trashy sci-fi horror sound of Messer Chups is not very common within the context of Russian rock music. The reason for this is the good old cold-war/iron curtain commie agenda. The majority of Messer Chups' musical and visual aesthetics come from trashy western pop-culture of the past century. This includes horror/sci-fi b-movies from 1930's through 1970's, as well as music such as surf (The Ventures, Dick Dale, Trashmen), big-band lounge (Henry Mancini, Les Baxter, Martin Denny) and rock n' roll of the 60's. Since the Ipecac release, Messer Chups has slowly developed a cult following around the world as one of the most unique and genre-defiant bands.

From -> http://www.morezvukov.nl/messerchups.html














Vamp Babes (2001)






Zombie Shopping (2007)